Towana Looney se tornou a primeira pessoa a sobreviver por mais de dois meses com um rim de porco transplantado, trazendo esperança para milhares de pacientes que aguardam por um órgão compatível. No Brasil, mais de 40 mil pessoas estão na fila de espera por um transplante renal.
A cirurgia inovadora foi realizada em novembro de 2024 pela equipe do NYU Langone Transplant Institute, nos Estados Unidos. Desde então, Towana segue em boa saúde, superando o tempo máximo que qualquer outro paciente havia conseguido viver com um órgão de origem animal. Até o momento, outros quatro pacientes haviam recebido rins de porco, mas nenhum sobreviveu por mais de dois meses.
Uma história de luta e esperança
A jornada de Towana na busca por um transplante começou em 2017, após passar anos em hemodiálise. Curiosamente, sua história com a insuficiência renal teve início em 1999, quando doou um rim para sua mãe. Anos depois, durante a gravidez, desenvolveu a mesma doença devido a complicações da pressão alta. Em 2016, iniciou o tratamento com hemodiálise e, um ano depois, entrou na lista de espera para transplante, sem encontrar um doador compatível.
Por anos, Towana precisou de sessões de hemodiálise semanais, que a mantinham conectada às máquinas por horas. Agora, comemora sua nova fase de vida, conseguindo caminhar longas distâncias em Nova York, onde permanece até o fim do acompanhamento médico, previsto para encerrar em um mês.

Um avanço na medicina
Os especialistas acreditam que o sucesso do transplante de Towana está ligado ao seu bom estado de saúde antes da cirurgia. Ao contrário de outros pacientes, ela apresentava menos complicações clínicas, o que pode ter contribuído para a aceitação do órgão.
Atualmente, o transplante de órgãos de animais geneticamente modificados ainda não é uma realidade na medicina convencional. Nos Estados Unidos, o FDA autoriza esses procedimentos apenas em casos específicos, quando não há outras alternativas para o paciente. No caso de Towana, anos de espera sem um rim compatível justificaram a tentativa experimental.
O caso de Towana representa um marco para a medicina e reforça a esperança de que, no futuro, transplantes de órgãos animais possam salvar vidas de milhares de pacientes que aguardam por um órgão compatível.