Se você pretende passear por diferentes gêneros em seu filme, então é bom ser capaz de controlar bem o tom dele. Para cada ótima caixinha de surpresas, como Parasita – onde a comédia parece estar escondida no suspense, que está escondido no drama –, há coisas que saem totalmente do trilho. Basta olhar Emilia Pérez. Entre Montanhas não é um desastre trágico como o vilão da temporada do Oscar. O longa de Scott Derrickson, porém, se mostra constantemente aquém das capacidades do realizador.
Melhor conhecido por sua marca de terror sentimental e honesto, Derrickson decide filmar o roteiro de Zach Dean quase como se não soubesse o que viria na próxima página, e como consequência parece estar sempre correndo atrás do prejuízo. Quando o filme troca de marcha do thriller de operações secretas para a comédia romântica, é difícil entender quem mais se surpreende: diretor ou público. No meio desse vai-e-vem estão Miles Teller e Anya Taylor-Joy, atores competentes em criar uma espécie de âncora nisso tudo – um gancho emocional para o qual sempre podemos voltar – mas cujos melhores dotes são anulados pelo texto expositivo e pela fotografia pouco inspirada.
Teller e Taylor-Joy vivem dois atiradores de elite. Ele, americano, não consegue se encaixar na sociedade. Ela, bielorrussa, aceita uma distração para não pensar no pai prestes a morrer. De certa forma, então, a missão de passar um ano isolados, sem comunicação e servindo de guardas em torres brutalistas de lados opostos de um desfiladeiro envolto em névoa, é muito bem-vinda. Ordenados a ignorar a presença um do outro – a distância entre as margens do desfiladeiro evoca uma dinâmica de antagonismo tipo Círculo de Fogo (2001) -, eles começam a patrulha seguindo as regras direitinho. Depois de um primeiro embate com coisas vindas lá de baixo, contudo, eles decidem conversar.
Com informações: Omelete