SÃO JOAQUIM – Um dos nomes mais emblemáticos na difusão da cultura japonesa na serra catarinense, o professor Hatao Egami foi homenageado recentemente em um evento especial que reuniu ex-alunos, familiares e membros da comunidade na sede da ACESJ (Associação Cultural e Esportiva de São Joaquim). A cerimônia, intitulada “Homenagem à Personalidade”, celebrou os 90 anos de vida de Egami sensei, reverenciado por sua dedicação incansável ao ensino da língua japonesa na região.
Nascido em 5 de abril de 1935, em Shinjuku, Tóquio, Hatao Egami graduou-se em Pedagogia pela Universidade de Tamagawa. Antes de estabelecer-se definitivamente no Brasil, atuou por meio da JICA (Agência de Cooperação Internacional do Japão) no desenvolvimento da criação de salmão, realizando 27 missões técnicas ao Brasil e Chile. No país vizinho, desempenhou papel central na implementação de viveiros com tecnologia japonesa, orientado por seu antigo professor, Izumi.

Em 1979, diante da escassez de docentes de língua japonesa, Egami imigrou para o Brasil, iniciando sua atuação em São Gotardo (MG). Cinco anos depois, chegou a São Joaquim, onde consolidou sua trajetória como o professor mais longevo da escola local, atuando de 1985 a 1998. Com apoio da JICA, foi um dos responsáveis pela construção da Escola Modelo de Língua Japonesa em 1994, considerada uma das melhores instituições do gênero na região Sul.
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Durante o evento, o presidente da ACESJ, Carlos Yamaguchi, deu as boas-vindas e destacou a importância de Egami na formação de gerações e na preservação da cultura nipônica. Em seguida, o ex-aluno Anderson Outuki emocionou o público com um discurso de gratidão, ressaltando os valores e a disciplina transmitidos por seu mestre.
Entre os momentos mais marcantes da cerimônia, esteve a exibição de uma apresentação audiovisual organizada por Marcos Hiragami, com fotos que retrataram décadas de dedicação de Egami ao ensino e à comunidade. A jornalista Silvia Kiguchi, ex-aluna do professor e atualmente na Record Internacional, enviou uma mensagem diretamente do Japão, ao lado das filhas de Egami, Patricia Assaka e Marcelina Yuko Egami, que também contribuíram com palavras comoventes.
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A professora Tiaki Yamaguchi também prestou uma homenagem especial, lembrando com carinho a postura ética e o comprometimento do Sensei. Em seguida, os ex-alunos interpretaram o hino da escola japonesa local — cuja letra foi escrita por Egami e ganhou arranjo musical de Tieko Nonomura — acompanhados pelos músicos Suiani Elinis e Luís Agnaldo Nunes.

O encerramento ficou por conta de Fumio Hiragami, que, representando os associados, expressou gratidão pelos ensinamentos recebidos ao longo das décadas. Em um gesto tradicional e carregado de emoção, ele propôs um brinde (Kampai) em honra ao mestre.
Aos 90 anos, o legado de Hatao Egami segue vivo na memória de centenas de alunos e na identidade cultural de São Joaquim. Mais do que ensinar um idioma, o professor transmitiu valores, disciplina e respeito — pilares que continuam a inspirar gerações.