Vacaria parece ter encontrado uma maneira curiosa de internacionalizar sua Festa da Maçã: mudar o nome e manter a contagem.
Em 2025, o município gaúcho anunciou oficialmente a 1ª Festa Nacional da Maçã, realizada entre 22 e 26 de outubro. Agora, para 2026, o material de divulgação apresenta a 2ª Festa Internacional da Maçã, marcada para 22 a 25 de outubro, juntamente com o 5º Festival de Balonismo.
A pergunta que ficou no ar

A mudança produz uma pergunta inevitável: se esta é a 2ª Festa Internacional da Maçã, quando aconteceu a primeira?
O cartaz da edição passada não deixa muita margem para dúvida. Em 2025 estava escrito “1ª Festa Nacional da Maçã”. Em 2026, o evento virou “2ª Festa Internacional da Maçã”. Pelo jeito, a festa atravessou a fronteira sem precisar reiniciar a contagem.
São Joaquim carrega o nome há décadas
A escolha chama ainda mais atenção do outro lado da divisa. São Joaquim construiu uma relação histórica com a Festa Nacional da Maçã, cuja primeira edição com essa denominação remonta a 1978. A tradição joaquinense, porém, é ainda mais antiga, com celebrações ligadas à maçã e à produção agropecuária desde décadas anteriores.

Em 2019, a ligação de São Joaquim com a fruta ganhou ainda reconhecimento federal: a Lei nº 13.790 conferiu ao município o título de Capital Nacional da Maçã.

Vacaria, evidentemente, também possui enorme importância para a pomicultura brasileira e tem todos os motivos para celebrar sua produção. Justamente por isso causa estranheza que uma cidade com identidade agrícola tão forte tenha escolhido, em 2025, uma denominação já historicamente associada a São Joaquim.
De Nacional para Internacional em um ano
Depois da repercussão do nome “Festa Nacional da Maçã”, a edição seguinte aparece promovida como “Festa Internacional da Maçã”. A solução, ao menos no cartaz, parece ter sido simples: trocar “Nacional” por “Internacional”.
O detalhe divertido é que a numeração continuou normalmente: a primeira Nacional de 2025 aparentemente virou, por obra do calendário, a antecessora da segunda Internacional de 2026.
Afinal, foi a 1ª Festa Nacional ou a 1ª Festa Internacional? Se os dois nomes representam séries diferentes, falta apresentar ao público a misteriosa primeira edição internacional.
“Internacional” no nome — e o que há de internacional?
O próprio cartaz da programação divulgado para 2026 traz Fernandinho, Rogério Magrão & Banda, Desenhada Muiérada, Guri de Uruguaiana e Lincoln Ramos, além de diversas bandas e atrações locais e regionais.

Isso não diminui o trabalho nem a qualidade dos artistas anunciados. Mas a palavra “Internacional” naturalmente desperta outra curiosidade: qual é exatamente o componente internacional da festa?
Haverá delegações estrangeiras? Produtores de outros países? Rodadas internacionais de negócios? Expositores estrangeiros? Intercâmbio técnico com outros países? Se houver, são elementos que podem justificar a nova denominação. Caso contrário, a internacionalização, por enquanto, aparece com mais clareza no nome do evento.
E qual será o próximo nome?
A rivalidade entre duas importantes regiões produtoras poderia ser aproveitada para fortalecer a cultura da maçã no Sul do Brasil. Cada município tem história, produção e características suficientes para construir uma identidade própria.
São Joaquim segue com uma Festa Nacional da Maçã documentada desde 1978 e com o título oficial de Capital Nacional da Maçã. Vacaria, depois de estrear uma “Festa Nacional” em 2025, agora apresenta a “2ª Festa Internacional” em 2026.
Nesse ritmo, a curiosidade para 2027 talvez nem seja apenas saber quais serão os shows.
Será descobrir qual será o próximo adjetivo: Mundial? Intercontinental? Universal?

Uma sugestão bem-humorada aos vizinhos: se chegar à “Festa Interplanetária da Maçã”, talvez seja prudente conferir antes se São Joaquim já não fez uma.