A campanha de Luiz Inácio Lula da Silva (PT) anunciou nesta quarta-feira (21) que aceita ampliar a abertura de sigilos proposta por Flávio Bolsonaro (PL-RJ), desde que a iniciativa inclua informações bancárias da Alcazar Holdings, empresa ligada ao advogado Willer Tomaz, na Ilha da Madeira, em Portugal.
A resposta acrescenta uma condição à negociação entre os candidatos à Presidência. O anúncio foi feito pelo coordenador da campanha petista, Camilo Santana, após a equipe de Flávio apresentar ao Tribunal Superior Eleitoral (TSE) exigências envolvendo familiares, empresas e pessoas próximas ao presidente.
Campanha de Lula cobra dados da Alcazar
Camilo afirmou que Lula não se opõe às exigências do adversário, mas quer manter a Alcazar no conjunto de informações solicitado. A campanha petista estabeleceu as 11h de quinta-feira (22) como prazo para a resposta do senador. Esse prazo foi anunciado pela campanha e não deve ser confundido com uma determinação do tribunal.
A cobrança se apoia em reportagens sobre documentos em poder da Polícia Federal que indicariam o cadastro de Flávio como usuário master de uma conta da companhia. O vínculo bancário apontado é um dos pontos de divergência entre as equipes.
O que diz Flávio Bolsonaro
Na manifestação apresentada ao TSE, Flávio declarou não ser sócio, administrador ou beneficiário da Alcazar Holdings e afirmou não possuir documentos fiscais ou bancários da empresa. Ele e Willer Tomaz também negam ter realizado negócios em conjunto.
O senador condicionou a abertura de seus registros à entrega de informações adicionais relacionadas ao presidente. Entre as exigências estão dados do Instituto Lula, de seu ex-presidente Paulo Okamotto e do ex-chefe de gabinete Marco Aurélio Santana Ribeiro, conhecido como Marcola.
O pedido também envolve empresas de familiares de Lula, despesas com cartões corporativos, agendas da primeira-dama Janja e registros de encontros e visitas relacionados ao banqueiro Daniel Vorcaro. A defesa de Flávio sustenta que a proposta inicial do petista tinha alcance insuficiente.
Propostas ainda dependem de desdobramentos
A troca de manifestações começou após o debate da TV Bandeirantes de domingo (18). Na terça-feira (20), Lula apresentou uma autorização condicionada à reciprocidade do adversário, abrangendo seus próprios registros e os de familiares.
As declarações de concordância não significam que os sigilos já tenham sido abertos ou que os documentos estejam disponíveis ao público. As fontes consultadas relatam propostas e condições apresentadas pelas campanhas, sem comprovar a divulgação efetiva do conjunto de dados discutido.