A primavera já avançou no calendário, mas o amanhecer ainda pode ter campos brancos e temperaturas próximas de zero na Serra Catarinense. Em São Joaquim, os registros de geada nesta semana voltaram a chamar a atenção e levantam uma pergunta: por que o frio continua aparecendo em pleno outubro?
A mudança de estação não impede a chegada de novas massas de ar frio ao Sul do Brasil. Embora os dias fiquem mais longos e o aquecimento ganhe força, a circulação da atmosfera ainda pode transportar ar de origem polar para a região, criando condições para madrugadas geladas.
O que provocou o frio desta semana
Na análise divulgada em 19 de outubro, o Instituto Nacional de Meteorologia (Inmet) apontou que um ciclone extratropical na costa do Sul contribuiu para transportar ar frio sobre a região. A combinação com noites de céu aberto favoreceu a queda das temperaturas e a ocorrência de geada, especialmente nas áreas serranas.
Na segunda-feira (19), a estação automática do Inmet em São Joaquim registrou 1,4 °C. No Morro da Igreja, a mínima chegou a −0,5 °C. Os números correspondem àqueles pontos de medição e não representam a temperatura de todas as localidades dos municípios.
Céu limpo e pouco vento ajudam a formar geada
Durante a noite, o solo e a vegetação perdem calor. Com céu limpo e vento fraco, esse resfriamento pode ser mais acentuado perto da superfície. Nas baixadas, o relevo também favorece o acúmulo de ar frio, ajudando a explicar as diferenças entre locais próximos.
Por isso, pode haver gelo sobre a vegetação mesmo quando a estação meteorológica indica temperatura positiva. A temperatura medida no abrigo meteorológico e a registrada junto à relva são diferentes: o gramado pode estar abaixo de zero enquanto o ar no ponto de medição permanece acima dessa marca.
O frio fora do inverno faz parte das possibilidades climáticas das áreas de altitude. A Epagri/Ciram já documentou geada em São Joaquim até em dezembro, em pontos isolados. Isso não significa que todos os episódios tenham a mesma intensidade ou atinjam toda a região.
Paisagem bonita exige atenção no campo
A geada também merece acompanhamento na agricultura. Flores, brotações e frutos em formação podem ser vulneráveis ao congelamento. O risco depende da cultura, do estágio de desenvolvimento, da intensidade do frio e do tempo de exposição.
A Epagri/Ciram disponibiliza um sistema de previsão de geadas com antecedência de até cinco dias, que auxilia o planejamento dos produtores. O acompanhamento da previsão e das condições dentro de cada propriedade ajuda a orientar as medidas de proteção.
Para os próximos dias, a análise do Inmet indica perda de força do frio a partir desta quarta-feira (21), com entrada de ar mais quente e úmido. O cenário reforça uma característica da primavera: manhãs geladas podem dar lugar a aquecimento e retorno da instabilidade em poucos dias.