O pesquisador Adriano Nunes Nesi, natural de São Joaquim, voltou a figurar em uma lista internacional que reúne cientistas de destaque pelo impacto de suas pesquisas. Professor da Universidade Federal de Viçosa (UFV), em Minas Gerais, ele dedica sua carreira ao estudo do funcionamento das plantas.
A relação, divulgada em outubro de 2026 e elaborada por pesquisadores ligados à Universidade Stanford, nos Estados Unidos, com dados publicados pela Elsevier, inclui o joaquinense entre os nomes ligados à UFV. A informação foi divulgada pela própria universidade na segunda-feira (26).

Segundo a UFV, a listagem reúne 1.510 cientistas atuantes no Brasil, dos quais 11 têm ligação com a instituição. Entre eles está um ex-professor visitante, que não possui vínculo direto atual com a universidade.
Das raízes em São Joaquim à pesquisa internacional
Natural de São Joaquim, Adriano tem raízes no bairro São José, na região dos Caminhos da Neve. Filho de Zilma Nunes Nesi e Avelino Nesi e neto de agricultores, cresceu próximo ao trabalho com a terra. Ainda menino, ajudava o pai no cultivo de hortaliças em uma pequena propriedade da família, nos fins de semana. Em entrevista à Academia Brasileira de Ciências, contou que observar o entusiasmo do pai despertou seu interesse pelo cultivo e pela produção de alimentos. Gostava também de assistir ao Globo Rural e experimentar o que aprendia.

A ligação com o campo abriu caminho para a formação em Agronomia na Udesc, em Lages, concluída em 1997. Depois, fez mestrado em Fruticultura de Clima Temperado na Universidade Federal de Pelotas e doutorado em Ciências Agrárias, na área de Fisiologia Vegetal, na UFV.
Entre 2004 e 2010, realizou pós-doutorado no Instituto Max Planck de Fisiologia Molecular de Plantas, na Alemanha. De volta ao Brasil, seguiu sua trajetória na Universidade Federal de Viçosa, onde atua no Departamento de Biologia Vegetal e orienta estudantes de pós-graduação.
O que o cientista pesquisa
As pesquisas de Adriano envolvem a fisiologia molecular das plantas, com atenção ao metabolismo e ao uso de energia. Em termos simples, ele investiga processos que ajudam a explicar como os vegetais transformam recursos em energia e respondem às condições do ambiente.

Esse conhecimento pode contribuir para estudos sobre o crescimento e a resistência das plantas diante de situações de estresse. O pesquisador também coordena o Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia em Fisiologia de Plantas em Condições de Estresse, conforme o Núcleo de Inovação Tecnológica da UFV.
Homenagem no Baile da Neve
O reconhecimento à trajetória do cientista também passou por sua cidade natal. Em 27 de julho de 2024, Adriano esteve entre os homenageados com o Troféu Capuchinho durante o Baile da Neve do Clube Astréa, em São Joaquim.

Naquela noite, o Clube Astréa homenageou joaquinenses pelos serviços prestados à comunidade. Entre eles estava Adriano, cuja trajetória na ciência mantém viva sua ligação com São Joaquim.
Como funciona o levantamento
A classificação utiliza indicadores de citações de trabalhos científicos para examinar o alcance da produção acadêmica. Segundo a UFV, o cálculo também considera aspectos como coautoria e posição do pesquisador nos artigos.
Trata-se de uma medida de impacto baseada em publicações e citações, com critérios próprios: a presença na lista não representa uma avaliação de todas as contribuições de um cientista. Adriano já havia aparecido em edições anteriores do levantamento.
A carreira do joaquinense também recebeu outros reconhecimentos: em 2015, ele tomou posse como membro afiliado da Academia Brasileira de Ciências para o período de 2015 a 2019; em 2016, recebeu a Medalha da Inconfidência, de Minas Gerais.
Em 2005, Adriano foi o primeiro autor de um estudo publicado na revista Plant Physiology sobre fotossíntese e crescimento de plantas de tomate. A pesquisa foi desenvolvida em conjunto com outros cientistas.

Na figura abaixo, os pesquisadores apresentam plantas de tomate e comparam a massa seca de diferentes partes dos vegetais estudados.
