Frescal de São Joaquim recebe oficialmente o registro de Indicação Geográfica (IG); notoriedade de São Joaquim no mapa das preciosidades brasileiras

Notoriedade: São Joaquim conquista mais um importante reconhecimento nacional. O Frescal de São Joaquim da Frigozan recebeu oficialmente o registro de Indicação Geográfica (IG) concedido pelo Instituto Nacional da Propriedade Industrial (INPI), tornando-se a 161ª IG do Brasil e a 51ª da Região Sul.

O reconheceu a Indicação Geográfica (IG) São Joaquim, do tipo Indicação de Procedência (IP), para o produto Frescal (carne salgada e dessecada), produzido no município de São Joaquim, em Santa Catarina. O reconhecimento foi publicado na Revista da Propriedade Industrial (RPI) nº 2889, de 19 de maio de 2026. Com o novo registro, o Brasil passa a contar com 172 IGs: 43 Denominações de Origem (DO), sendo 33 nacionais e 10 estrangeiras, e 129 IPs, sendo 128 nacionais e uma estrangeira.

O Frescal, tradicional carne salgada e dessecada da Serra Catarinense, passa agora a integrar o grupo de produtos brasileiros protegidos por sua origem e qualidade diferenciada.

Segundo a documentação apresentada ao INPI, a tradição do Frescal está diretamente ligada à história da pecuária no Planalto Catarinense. Desde o século XVIII, tropeiros que conduziam gado do Rio Grande do Sul até Sorocaba, em São Paulo, utilizavam a região como ponto de descanso e engorda dos animais. Nesse contexto, surgiu a prática de salgar a carne para garantir sua conservação durante as longas viagens.

Lauro Zandonadi percussor do açougue Frigozan e o pioneiro na venda do frescal Serrano 

Com o passar do tempo, a técnica foi sendo adaptada e aperfeiçoada pelas famílias locais, dando origem ao Frescal de São Joaquim. O nome do produto teria surgido há cerca de 50 anos, após um jornalista paulista provar a carne em uma churrascaria local e afirmar que ela não era charque nem carne fresca, mas sim um “frescal”. A expressão acabou popularizando o produto em todo o país.

A notoriedade do Frescal também está associada às características naturais da Serra Catarinense. O gado é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente de baixas temperaturas. Essas condições contribuem para a maciez e o sabor característicos da carne.

O processo de preparo mantém características artesanais. As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sempre sem exposição direta ao sol. Diferentemente do charque ou da carne de sol, o Frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência da carne.

O reconhecimento reforça a identidade dos produtos catarinenses e valoriza a tradição, a qualidade e a origem da produção agropecuária do estado. A Secretaria de Estado da Agricultura e Pecuária (Sape) é responsável por emitir o documento oficial de delimitação da área geográfica,  que é submetido ao INPI. O processo de reconhecimento contou com apoio do Sebrae/SC, Coopernovilhos, Faesc e Sindicato de São Joaquim.

Para o secretário de Estado da Agricultura e Pecuária, Admir Dalla Cort, o reconhecimento amplia oportunidades para os produtores e fortalece o desenvolvimento regional. “A Indicação Geográfica valoriza a história, a cultura e o modo de produção das regiões catarinenses. A Indicação Geográfica  agrega valor aos produtos, abre novos mercados e gera mais renda e oportunidades para os produtores e para toda a cadeia produtiva”, destaca.

A fama do produto é reforçada por reconhecimentos oficiais. O Frescal foi o primeiro produto cárneo de Santa Catarina a receber o Selo Arte. Além disso, o município de São Joaquim instituiu oficialmente o “Churrasco de Frescal” como prato típico local, e o produto também foi declarado patrimônio cultural do estado catarinense. 

Lauro Zandonadi e sua esposa Maria Zandonadi

A notoriedade do Frescal também está associada às características naturais da Serra catarinense. O gado é criado solto e alimentado em pastagens nativas de altitude, em um ambiente de baixas temperaturas, condições que contribuem para a maciez e o sabor característicos da carne.

O processo de preparo mantém características artesanais. As peças bovinas são salgadas e curadas ao ar livre ou em ambientes controlados, sem exposição direta ao sol. Diferentemente do charque ou da carne de sol, o Frescal passa por um processo de maturação mais curto, de até 48 horas, preservando a maciez, a coloração rosada e a suculência.

Entrevista com Fabio Tashima, Presidente da Coopernovilhos a instituição (cooperativa que buscou o reconhecimento da marca/produto) e proprietário do Açougue que pruduz e comercializa o Frescal.

Mycchel legnaghi: Fabio, então hoje é um dia histórico, principalmente para nossa região, aqui dos Campos da Serra, da região serrana, da serra catarinense. Hoje foi diversificada a denominação de origem da carne de frescal. Conta pra nós o que é.

Fabio: Exatamente, né. Depois de dois anos aí de muito trabalho, a gente conseguiu o reconhecimento da Indicação Geográfica do frescal de São Joaquim, né. Então é a quinta Indicação Geográfica aqui da região da nossa cidade, né, e foi feito via indicação de procedência. Então uma Indicação Geográfica por indicação de procedência, né. E é o que atesta, né, que realmente a região… ela faz com que esse produto seja reconhecido pela produção do frescal.

Mycchel: E o que que é o frescal? Conta pra quem não conhece o que é o frescal.

LFabio: O frescal nada mais é do que uma carne maturada no sal, né, um sal granulado. A quantidade é semelhante ao que é utilizado para salgar uma carne para qualquer outro preparo. A diferença é que ela fica maturando então nesse sal de três a cinco dias, né. Posteriormente ela tá pronta pro consumo. Nesse processo ela ganha maciez, o sabor é bem característico, né. E o que torna a região especial para essa fabricação é principalmente a matéria-prima que é utilizada, então somente gado da região, somente gado criado a pasto, né. Então, basicamente, esse é o produto.

Mycchel: E o sabor?

Fabio: O sabor é bem marcante, né. Só experimentando mesmo pra ver a diferença, né. Mas quando a gente faz assim pra apresentar o produto para alguém, que faz o mesmo corte da carne in natura salgada ali na hora, e do frescal… é bastante notável a diferença de sabor de uma carne para a outra.

Mycchel: E as vendas, como funciona? É bem grande a procura?

Fabio: É, em torno aí de 30%, 25 a 30%. A gente possui aqui o abate próprio, né. Do gado abatido, da carne que a gente processa, é direcionada pro frescal. Então é uma quantidade considerável aí que acaba indo pro frescal.

Mycchel: E de São Joaquim vai pra onde essa carne? Onde mais consome?
Fábio: O principal mercado consumidor é aqui a própria serra e o litoral, envolvendo aí desde o sul do estado até o Vale do Itajaí. Então falando assim em termos de Santa Catarina, o consumo ainda tem muito a crescer no oeste do estado e no norte. Mas em cidades aí de serra, Vale do Itajaí, Grande Florianópolis e sul do estado a gente tem uma certa abrangência legal.


Mycchel: Quanto tempo tem o frescal e quanto tempo na busca por esse IG?

Fabio: O frescal ele já existe há mais de 50 anos, né. Começou como um método de conservação, era necessária a salga por uma forma de conservação, por falta de refrigeração na época e etc. Então a gente tá há mais de 50 anos fabricando o frescal no mesmo endereço. E a busca da Indicação Geográfica veio há mais ou menos dois anos.

Essa nova conquista ajuda a sedimentar a notoriedade de São Joaquim no mapa das preciosidades brasileiras. A cidade e a região do entorno vêm provando que o clima frio e o solo único geram resultados excepcionais. A região já é amplamente reconhecida por outras IGs importantíssimas, como a Maçã Fuji da Região de São Joaquim, os Vinhos de Altitude de Santa Catarina e o Queijo Artesanal Serrano. O frescal chega para coroar ainda mais essa mesa.

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