Mortes por tuberculose em SC quase dobram e tem pior número desde 2013

As mortes por tuberculose em Santa Catarina quase que dobraram nos últimos 10 anos e atingiram uma piora histórica. Segundo dados da Dive/SC (Diretoria de Vigilância Epidemiológica de Santa Catarina), foram 58 mortes registradas em 2013 contra 115 em 2022.

O número não cresce apenas em Santa Catarina. A nível nacional, de acordo com dados do Ministério da Saúde, há em média 14 mortes por dia no Brasil entre 2020 e 2021.

Já em Santa Catarina esse aumento foi de 39% nos últimos 3 anos, de 2020 a 2022. Em 2022 115 pessoas morreram da doença, duas a mais que em 2021, com 113 mortes, e 32 a mais que 2021 que tinha 81.null

Em 2022, foram notificados 1.898 casos novos de tuberculose, revelando uma incidência de 26,7 casos por 100 mil habitantes, segundo o SISAN (Sistema de Informação de Agravos de Notificação).

De acordo com a médica infectologista e diretora do Hospital Nereu Ramos, em Florianópolis, Renata Zomer, a tuberculose é uma doença negligenciada e um problema de saúde pública.

“Nunca deixou de existir, mas pouco se fala nela. Existe tratamento, todo fornecido pelo SUS, mas que o tempo é de, normalmente, 6 meses. Infelizmente, por ser um tratamento longo, ele é descontinuado por muitos pacientes e isso faz com que a doença ‘ganhe força’, se torne resistente, podendo levar o paciente a morte”, conta.

Zomer reforça que os dados são preocupantes, pois a tuberculose é uma doença de transmissão por via respiratória e com a chegada dos meses mais frios a transmissão tende a aumentar por ficarmos mais aglomerados e em locais fechados.

O que é a tuberculose?

A tuberculose é uma doença infecciosa e transmissível, causada pela bactéria, também conhecida como bacilo de Koch. Segundo a SES, a doença afeta prioritariamente os pulmões (forma pulmonar), embora possa acometer outros órgãos e/ou sistemas.

A transmissão acontece de pessoa para pessoa através do ar, pela fala, espirro e tosse da pessoa infectada. Já em ambiente fechado, com pouca ventilação e ausência de luz solar, aumenta as chances de contrair a doença.

População mais vulnerável

Populações vulneráveis são as pessoas privadas de liberdade, pessoas em situação de rua, indígenas e pessoas vivendo com HIV/Aids. Essas populações específicas apresentam maiores chances de desenvolver a doença que a população em geral. O que pode justificar são os fatores relacionados ao sistema imunológico de cada indivíduo e à exposição ao bacilo, já que o adoecimento por tuberculose, muitas vezes, está ligado às condições precárias de vida.

Prevenção

A vacina BCG é uma maneira de proteção contra as formas graves de tuberculose e faz parte do calendário vacinal, devendo idealmente ser feita ao nascimento.

Além disso, como forma de prevenção e controle da doença, é sempre importante investigar os contatos mais próximos da pessoa que está em tratamento para que seja descoberta a infecção e/ou doença o mais rápido possível.

Tratamento para a tuberculose

O tratamento da tuberculose dura no mínimo seis meses, é gratuito e está disponível no SUS (Sistema Único de Saúde).

“A tuberculose tem cura quando o tratamento é feito adequadamente, até o final. Logo nas primeiras semanas do tratamento, a pessoa se sente melhor e, por isso, precisa ser orientada pelo profissional de saúde a realizar o tratamento até o final, independentemente do desaparecimento dos sintomas”, enfatizou Lígia Castellon Gryninger, médica infectologista da DIVE/SC, em entrevista ao portal ND+ na última semana.

Uma combinação de medicamentos deve ser ingerida diariamente por um período de seis meses, na grande maioria dos casos. O tratamento irregular pode complicar a doença e resultar no desenvolvimento de tuberculose resistente aos remédios.

Com informações: NDMais

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