Cientificamente falando, essa é a gravidade real do surto do coronavírus chinês

O surto do 2019-nCoV, novo vírus detectado na China, tem causado preocupações globais.

Por enquanto, 6.057 casos da doença já foram confirmados, com 132 mortes. Enquanto a maior parte dos afetados vive na região chinesa de Wuhan, o coronavírus já se espalhou para diversos países, incluindo Japão, Austrália, França, EUA e Alemanha.

O que os cientistas sabem sobre sua taxa de mortalidade, sintomas, contágio e origem?

Taxa de mortalidade

O 2019-nCoV faz parte da família dos coronavírus, que já causou duas epidemias fatais no passado – uma de SARS e outra de MERS.

A 2002/03 SARS (síndrome respiratória aguda grave) começou em Pequim, na China, e matou 774 pessoas de um total de 8.096 infectados. Já a epidemia 2012 MERS (síndrome respiratória do Oriente Médio) matou 858 pessoas de 2.494 infectados.

Ou seja, esses surtos tiveram taxas de mortalidade bem diferentes, de 9,5% e 34,5%, respectivamente.

Até o momento, os pacientes com 2019-nCoV estão em condições menos graves do que os anteriormente infectados por SARS. Sua taxa de mortalidade é menor do que 5%.

Sintomas

Um estudo publicado na revista científica The Lancet que analisou 41 pacientes da nova epidemia concluiu que os sintomas do 2019-nCoV se assemelham aos do SARS.

Todos os infectados tiveram pneumonia, a maioria teve febre, três quartos tiveram tosse e metade teve dificuldade de respirar.

As principais diferenças é que os pacientes de 2019-nCoV não exibiram coriza, espirros ou dor de garganta.

Contágio

Pesquisadores do Britain’s Imperial College estimam que cada paciente com 2019-nCoV infecta, em média, 2,6 outras pessoas. Isso torna a doença tão infecciosa quanto um surto anual de gripe comum.

Existe ainda a possibilidade de que o vírus possa ser transmitido em seu período de incubação, ou seja, antes dos sintomas aparecerem.

Isso ainda precisa ser provado, no entanto. Especialistas como o professor de epidemiologia de doenças infecciosas da Universidade de Edimburgo Mark Woolhouse creem que é cedo demais para concluirmos a transmissão no período de incubação com base nas evidências atualmente disponíveis.

Para evitar o contágio, as autoridades de saúde e os cientistas recomendam as mesmas precauções contra outras doenças virais, incluindo lavar as mãos com frequência, cobrir a boca ao tossir e não tocar o rosto.

Por fim, qualquer paciente infectado com o vírus deve ser isolado. “Considerando que um número substancial de pacientes com SARS e MERS foram infectados em serviços de saúde, é necessário tomar precauções para evitar que isso aconteça novamente”, alertaram os pesquisadores no The Lancet.

Origem

Os pesquisadores ainda não têm certeza, mas acreditam que o novo vírus se originou em morcegos, como o SARS, com o qual compartilha 80% de sua composição genética.

No entanto, ninguém sabe qual animal de fato passou a doença para humanos. Uma equipe chinesa sugeriu que foram cobras, mas diversos especialistas pensam que um mamífero é mais provável de ser o culpado.

Identificar a fonte da transmissão pode ajudar a conter a epidemia. No caso do SARS, os cientistas descobriram que se tratava do civeta, um mamífero cuja carne é popular na China. Banir seu consumo e fechar fazendas que cultivavam o animal foram passos fundamentais para impedir que o vírus voltasse.

Já no caso do MERS, sua fonte foi justamente uma dificuldade na contenção da doença: camelos dromedários, um animal de trabalho amplamente utilizado no Oriente Médio. [ScienceAlertGlobalCases]

 

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