Menino de 8 anos raspa cabelo de médico após passar por cirurgia para retirar tumor no cérebro

Laços de amizade entre o médico e o paciente. O neurocirurgião conta como começou a amizade com a criança que o ensinou como enfrentar dificuldades com alegria. “Ele me fez evoluir muito como médico. Em julho tivemos uma consulta e o tumor tinha voltado, pois uma das características desse tumor é que ele se prolifera muito rápido, então, ele começou a volta do tumor em setembro deste ano, bem grande, ocupando uma boa área do cérebro.”

O menino Pedro Cardozo dos Santos, 8 anos, raspou o cabelo do seu médico após passar por uma cirurgia para a retirada de um tumor no cérebro no Hospital do Mandaqui, na Zona Norte de São Paulo. O neurocirurgião Caio Nuto França, de 28 anos, prometeu que também cortaria o cabelo caso a criança tivesse que ficar careca para realizar o procedimento.

A cena foi registrada pelo próprio médico que operou a criança no dia 9 de outubro e postou em suas redes sociais. O vídeo viralizou, provocando uma série de comentários de esperança e demonstrações de empatia. Nas imagens é possível ver o menino aos risos passando uma máquina no cabelo do médico.

O menino, que estava internado desde setembro, recebeu alta do hospital na última quarta-feira (14).

Em outro vídeo, o médico pede que Pedro desenhe com uma canetinha o trajeto da cicatriz que a cirurgia para retirada do tumor deixou na cabeça do menino. “Pedrão, vou ficar igual a você. Vai, pinta de novo. Caramba, Pedrão, você fez a cicatriz melhor que o neurocirurgião, mostra a tua”, disse Caio.

Pedro, então, responde aos risos: “Acho que nós dois está (sic) ferrado”.

A aposta virou diversão para outro garotinho, o Nicolas, que também estava no hospital e aproveitou para cortar o cabelo do médico.

O médico disse que o menino passou por dez cirurgias antes do último procedimento.

“O Pedro, em agosto do ano passado veio ao Pronto-Socorro com quadro de cefaleia progressiva e a gente detectou o tumor. Era um tumor benigno, mas com comportamento maligno. Em três, quatro meses foram necessárias dez cirurgias. Mas ele é uma criança muito especial, por todo tempo que ele ficou internado ele nos dava uma aula de como lidar com uma doença grave e como lidar com esse momento de dor com uma forma alegre, muito leve. Aí criamos um laço muito forte”, disse Caio.

Pedro não esqueceu da promessa que o médico tinha feito de cortar o cabelo após a cirurgia. “Nesta última internação, a primeira pergunta que ele fez foi se iria precisar cortar o cabelo e eu falei que se ele cortasse, eu cortaria o meu também. Depois da UTI, eu achava que ele iria esquecer e eu também tinha falado sem muita pretensão de cortar o meu cabelo mesmo, mas aí ele ficou me cobrando”, afirmou Caio.

“Fui no quarto dele, peguei a maquininha e deixei ele cortar o cabelo. O Nicolas que também estava no quarto e também tinha raspado o cabelo também participou. Fiquei feliz em como isso gerou atitudes de carinho e amor com pessoas que estão em vulnerabilidade. Ele é uma criança super legal”, disse o neurocirurgião.

Caio Nuto nasceu em João Pessoa, se formou na Universidade Federal da Paraíba e foi para São Paulo em 2016 para fazer residência médica. “Foi o Pedro que me deu a certeza de que queria fazer especialização em neuropediatria.”

A mãe de Pedro, Eliana, disse que o filho sempre foi bem humorado. “Ele sempre foi um menino doce, espontâneo, que gosta muito de conversar com as pessoas, principalmente com pessoas adultas. Ele está muito feliz e achou tudo muito engraçado. Na verdade, ele ficou com dó de cortar o cabelo do médico, mas depois se divertiu muito porque o médico ficou parecido com ele.”

Sobre a sequência de cirurgias e a reação do filho com o tratamento do tumor, Eliana disse que Pedro sempre foi otimista. “Ele sempre falou que Deus o ajudaria. Ele me disse: ‘mãe, não se preocupa que Deus me ajudou nas outras dez cirurgias e vai me ajudar nessa também”.

A primeira coisa que Pedro fez quando voltou para casa foi brincar com o irmão. “Ele só quis saber do irmão e de jogar no celular”, disse Eliana.

Com informações G1

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