1º Agro Clima Global Summit reúne especialistas para debater impacto das mudanças climáticas no agro

As alterações climáticas drásticas causam impacto significativo na vida humana. Segundo o relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), divulgado em agosto de 2021. A última década foi a mais quente já registrada. Desde o período pré-industrial (1850-1900), a temperatura média do planeta já registrou um aumento de aproximadamente 1,1°C. O intervalo de tempo é utilizado como base, por representar a temperatura antes do início da significativa interferência humana na natureza. A partir desse cenário, o Agro Clima Global Summit, que acontece dia 9 de novembro, a partir das 8h50, debaterá os desafios, obstáculos e, sobretudo, responsabilidades do agronegócio. O evento faz parte da programação do AgroBIT Brasil Evolution, que acontece de 9 a 10 de novembro.

O Agro Clima Global Summit apresentará casos reais, tanto na pesquisa como direto do campo com a participação de palestrantes renomados. Entre os convidados está Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, diretor do Instituto Nacional de Meteorologia (INMET). O economista com mestrado em Agronegócio pela Universidade Federal de Goiás será responsável por apresentar o Sistema de Informações Meteorológicas (SIM INMET) e explicar as suas utilidades para a Ciência – e também para o produtor:

“O SIM INMET pretende integrar todas as bases de dados de previsões e clima, como os do Instituto Nacional de Pesquisas Espaciais (INPE) e do Centro Nacional de Monitoramento e Alertas de Desastres Naturais (Cemaden). A meta também é melhorar a previsão climática com dados de precipitação, vento, umidade e temperatura monitorados em tempo real por meio de uma rede unificada de sensores de calibração padrão, da combinação de elementos de meteorologia dinâmica e da compreensão da atuação das massas de ar e da dinâmica dos ventos”, afirma Oliveira.

Ele acrescenta que o seguro paramétrico, por exemplo, é baseado na definição de parâmetros para a ocorrência de eventos naturais.

“Trata-se de um modelo diferente do tradicional, que é estabelecido em virtude da ocorrência de um evento climático. Caso o índice do parâmetro escolhido não seja alcançado, o produtor segurado poderá ser ressarcido em razão do potencial dano à produção.”, explica Oliveira.

O time de palestrantes ainda tem Willians Bini (Climatempo), com o tema “Tecnologia e Inovação no Agro”; João Castro (Climatempo), que vai falar sobre “Projeções de clima e tendências do IPCC”; Pablo Nitsche, (Instituto de Desenvolvimento Rural do Paraná – IDR-PR), que apresentará a palestra “Monitoramento agroclimático no Estado do Paraná”; Celso Oliveira (Climatempo), que falará sobre “Previsão Climática: um panorama para a próxima safra” e, encerrando o ciclo, Orivaldo Brunini (Instituto Agronômico – IAC) abordando “Pesquisas do IAC no campo da agrometeorologia – Adaptação de culturas em cenários de mudanças climáticas e crise hídrica”.

Segundo o diretor do INMET, Miguel Ivan Lacerda de Oliveira, é necessário um debate sobre a união entre o agronegócio com a tecnologia e a sustentabilidade, além de destacar a importância da meteorologia para a produção agrícola, meio ambiente e economia. “As mudanças climáticas afetam todas as atividades humanas e, entendermos a dimensão de seus impactos antecipa decisões e ações primordiais. O clima é responsável por grande parte do desempenho da produção de alimentos. Por exemplo, longos períodos de seca podem prejudicar o desenvolvimento das plantas. Todos os esses eventos que integram a importância da meteorologia na gestão do agronegócio – e isso é importante destacar – contribuem para a sustentabilidade, tanto econômica, quanto ambiental. É preciso fazer essa integração, promover eventos que tragam essa cooperação entre as diferentes tecnologias e a relação de como essa tecnologia pode trazer valor para a produção e para o meio ambiente”, destaca Miguel.

Ex-diretor do departamento de biocombustíveis do Ministério de Minas e Energias (MME), Miguel Ivan Lacerda atuou na pasta entre 2016 e 2020, além de ser responsável pela elaboração do RenovaBio.

Em relação ao relatório do Painel Intergovernamental sobre Mudanças Climáticas (IPCC), o atual diretor do INMET – nomeado em dezembro de 2020 – demonstra preocupação com os impactos das mudanças climáticas na agricultura e exemplifica ações humanas que intensificam as alterações.

“As mudanças climáticas afetam em diversos graus, dependendo da época do ano e da área de ocorrência. Tanto podem destruir lavouras como atrasar plantios e colheitas. A instabilidade climática ocorre por diversos fatores: os ciclos naturais (própria variação do clima); a interferência humana, como o aumento do desmatamento e a urbanização desordenada”, afirma Oliveira.

A causa principal, diz ele, para o aumento da temperatura no planeta, e não só no Brasil, é a constante emissão de gases de efeito estufa, levando ao aquecimento global.

“O último relatório do IPCC, divulgado em 9 de agosto de 2021, dá alguns exemplos do que os governos devem fazer e, na COP26, os governantes dos países estiveram reunidos para definir essas decisões. Dessa forma, é necessário pensar em criar ‘microclimas’, de forma a aumentar as áreas verdes nas cidades e diminuir as queimadas, preservando florestas e recuperando áreas degradadas”, conclui.

Você pode conferir a programação completa do evento pelo site https://www.agrobitbrasil.com.br/agroprogram.

SERVIÇO

Agro Clima Global Summit

Quando: 9 de novembro (terça-feira)

Horário: às 8h50

Onde: AgroBIT Evolution Brasil 2021

Informações e inscrições: Agrobit Brasil

Crédito foto estiagem: Divulgação/Sanepar
Crédito foto crise hídrica: Geraldo Bubniak/Divulgação/AEN

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