Reflexão sobre a doação de órgãos

Se um dia o médico disser que meu cérebro deixará de funcionar e que portanto, de certa forma minha vida física se acabará, não se esforcem em introduzir vida artificial em meu corpo através de aparelhos.
Ao invés disso, doem minha visão a uma pessoa que nunca tenha visto o alvorecer, nem o rosto de uma criança.
Doem meu coração a uma pessoa cujo coração não tenha sentido outra coisa em sua vida senão infinitos dias de dor.
Doem meus rins a alguém que dependa de uma máquina para sobreviver.
Descubram um modo de fazer uma criança paralítica caminhar por intermédio de meu sangue, meus ossos e de todos os músculos e nervos de meu corpo.
Um dia quem sabe, minhas células possam servir a um garotinho mudo e ele possa gritar bem alto o gol de seu time, ou ainda, por meio delas fazer com que uma garota surda consiga ouvir o som da chuva na sua janela.
Queimem o que restou de mim e que as cinzas sejam sopradas ao vento para quem sabe, ajudar as flores a crescer.
E se você realmente quiser libertar alguma coisa, que seja então os meus defeitos, minhas fraquezas e todos os meus preconceitos contra meu semelhante.

Se você fizer tudo que pedi, eu viverei para sempre.

Por Robert N. Test

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