Comunidade certificada pela Fundação Cultural Palmares reúne mais de 70 membros e oficializa entidade representativa em ato simbólico de afirmação e autonomia
São Joaquim viveu neste fim de semana um dos momentos mais significativos de sua história recente. A comunidade de São Sebastião da Várzea oficializou, no sábado (2), a criação da Associação Remanescente de Quilombo de São Sebastião da Várzea, reunindo mais de 70 membros fundadores em uma assembleia marcada por emoção, representatividade e conquistas.

A fundação da Associação consolida a trajetória de reconhecimento da comunidade, que em setembro tornou-se a primeira da Serra Catarinense certificada pela Fundação Cultural Palmares. A certificação, publicada no Diário Oficial da União em 3 de setembro, reconhece oficialmente a identidade quilombola da Várzea e reafirma o papel de São Joaquim na valorização da história, da cultura e da diversidade do povo negro na região.

A cerimônia contou com a presença de lideranças locais, representantes de instituições e autoridades ligadas à pauta da igualdade racial. Estiveram presentes a Dra. Caroline Santana, advogada e defensora de causas quilombolas, e Lara Luisa, servidora federal da Fundação Cultural Palmares, que realizou a entrega simbólica da certificação de autodefinição à comunidade.

Além das deliberações institucionais, o encontro foi permeado por apresentações culturais, homenagens e momentos de confraternização. A Associação Afrojoaquinense realizou uma performance artística em celebração à ancestralidade e à resistência quilombola, encerrando o evento com um jantar coletivo em clima de celebração e pertencimento.

Para Patrick Suhre da Rosa, mestrando em Direito Internacional pela Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), morador da comunidade e eleito presidente da nova entidade, a criação da Associação representa um passo fundamental no fortalecimento da identidade e na conquista de políticas públicas voltadas à reparação histórica:
“Estamos contando nossa própria história, ouvindo nossos mais velhos e construindo institucionalmente os caminhos para garantir nossos direitos e valorizar nossas memórias. A criação da Associação fortalece nossa autonomia e nossa luta como povo quilombola”, afirmou Patrick.
Com a formalização da Associação Remanescente de Quilombo de São Sebastião da Várzea, São Joaquim dá um passo importante rumo ao reconhecimento de suas raízes e da pluralidade que compõe sua história. A entidade passa a representar oficialmente a comunidade, fortalecendo o diálogo com o poder público e ampliando ações de valorização cultural e social no território.

A Associação também mantém presença nas redes sociais, pelo perfil @quilombosaosebastiaodavarzea, onde compartilha informações, projetos e as conquistas da comunidade quilombola da Várzea.

Agora, com o reconhecimento da comunidade da Várzea e a criação de sua Associação Quilombola, o município amplia suas possibilidades de valorização cultural e turística, revelando novas narrativas sobre seu território e suas origens. A presença quilombola passa a integrar o mosaico identitário de São Joaquim, abrindo espaço para experiências que unem história, ancestralidade e hospitalidade serrana.


























Texto: Ana Paula Lemos


