Rancho Queimado ganhará, no dia 10 de outubro, um novo espaço dedicado à memória, à arte e à identidade catarinense. Instalada em uma casa tradicional de estilo alemão às margens da BR-282, a Casa da Cultura será inaugurada com programação gratuita e aberta ao público.
O imóvel, construído em 1934 e ligado por gerações à família Sell, permaneceu abandonado durante cerca de dez anos. A transformação começou depois que a cerimonialista e empresária Júlia Brum enxergou no local o cenário ideal para um projeto cultural voltado à comunidade.
“Essa casa sempre exerceu um fascínio sobre mim. Pensei que este seria o lugar apropriado para uma casa de cultura, um espaço para a comunidade e para o desenvolvimento de projetos culturais”, explica Júlia.
Memória, criação e pertencimento
A proposta é preservar a história de Rancho Queimado e, ao mesmo tempo, abrir espaço para a criação coletiva de artistas locais. O público encontrará exposições, apresentações, contação de histórias e atividades culturais gratuitas.
A artista visual Malu Nakid integra o projeto ao lado de Júlia, que também trabalha como organizadora de eventos, decoradora e designer floral. Segundo Malu, a casa promoverá o desenvolvimento artístico, criativo e social de crianças e jovens. Para os adultos, estão previstos grupos de leitura, pintura e oficinas de colagem e modelagem, entre outras atividades voltadas ao bem-estar.
O sentimento de pertencimento mobilizou moradores e famílias fundadoras do município, que doaram objetos de seus antepassados para a sala da memória e para a biblioteca comunitária. A iniciativa conta com apoio privado, parcerias com empresas da região e trabalho voluntário.
Inauguração terá programação gratuita
A inauguração será realizada em 10 de outubro de 2026, a partir das 9h. A programação terá contação de histórias, oficinas de pintura, jogos e dança alemã. A solenidade oficial de abertura está marcada para as 15h.
- Data: 10 de outubro de 2026
- Início: 9h
- Solenidade oficial: 15h
- Local: Casa da Cultura de Rancho Queimado, às margens da BR-282
- Entrada: gratuita
Após a abertura, a visitação ocorrerá de quinta-feira a sábado, das 10h às 18h. Escolas e instituições também poderão visitar o espaço em horários flexíveis, de acordo com a agenda de cursos, oficinas e grupos de estudo.
A estrutura reúne galeria de exposições, sala da memória com antiguidades, biblioteca, floricultura, loja de artesanato local e peças étnico-culturais, casinha infantil, jardim e ateliê de artes para adultos e crianças. A programação mensal também deverá incluir música, dança, poesia e contação de histórias.
“Queremos fomentar a arte, resgatar a memória da região, ampliar as opções de turismo e visitação na cidade e, principalmente, oferecer exposições, cursos, workshops e grupos de estudo e leitura aos moradores”, afirmam Malu e Júlia.
Uma casa ligada à história da Pureza
A trajetória do imóvel se conecta à história de Alfredo Roberto Sell, descendente de imigrantes alemães que se instalou em Rancho Queimado em 5 de outubro de 1905. Ele fundou uma pequena cervejaria que, mais tarde, daria origem à Pureza, na entrada do município.
O refrigerante surgiu a partir de um pedido das mulheres da comunidade, que não apreciavam tanto o sabor amargo da cerveja. A família passou a produzir uma bebida sem álcool, inicialmente chamada de “cerveja doce”. Com o tempo, ela ganhou sabor de guaraná e, em 1926, recebeu o nome Pureza.
A casa tradicional próxima à fábrica foi construída por Alfredo Sell, em 1934, para um de seus filhos. Décadas depois, continuava sendo residência de Adelmar Sell, neto do fundador. Vendido posteriormente pela família a duas irmãs, o imóvel foi disponibilizado para locação e ganhou nova vida com o projeto conduzido pelas empreendedoras.
Artistas e coletivos participantes
A Casa da Cultura foi construída a muitas mãos e reúne artistas visuais, escultores, fotógrafos, artesãs, poetas, escritores e representantes da cultura germânica.
Tatiana Heinz
Artista plástica natural de Rancho Queimado, desenha desde a infância. Começou a pintar telas aos 18 anos e, depois de iniciar a venda de suas obras, passou também a ensinar pintura em tela e tecido em cidades da região.
Philippe Debdled
Fotógrafo de natureza e paisagem, nasceu em Bruxelas e vive em Florianópolis desde 1995. Sua trajetória inclui editoriais, livros, exposições e produção de obras Fine Art.
Ana Ludwig
Pedagoga e professora nascida em Florianópolis, atua com contação de histórias, mediação de clubes de leitura e rodas de biblioterapia, contribuindo para a formação de leitores.
Grupo Folclórico
Criado em Antônio Carlos em 2024, o grupo surgiu da amizade entre pessoas que já compartilhavam a tradição de participar dos desfiles das festas alemãs da região. A dança e a alegria são formas de manter viva a cultura germânica.
Maria Isabel Wobeto
Artista plástica visual e psicóloga, é natural de Passo Fundo (RS) e vive há mais de uma década em Santa Catarina. Radicada em Rancho Queimado, desenvolve trabalhos em pintura e cerâmica inspirados na natureza, nas emoções e na experiência humana.
Malu Nakid
Artista plástica visual, professora-artista e terapeuta artística antroposófica, encontrou na aquarela uma forma de expressar sua visão de mundo. Na série “Aves Brasileiras e Seus Habitats”, pesquisa e retrata especialmente as aves do Sul do país.
Mais informações e novidades da programação podem ser acompanhadas no Instagram @casadeculturarq.