Temperaturas negativas atingiram municípios catarinenses nesta segunda-feira (19); em São Joaquim, sistema antigeada trabalhou por mais de seis horas para proteger maçãs em formação.
A geada marcou o amanhecer desta segunda-feira, 19 de outubro, em áreas de Santa Catarina, com temperaturas que chegaram a −2,1°C. Em plena primavera, o frio acendeu a preocupação nos pomares, onde flores e pequenos frutos estão sujeitos a danos por congelamento, com possíveis reflexos na próxima safra.
Conforme dados compilados por Coutinho e P. Scheuer, com registros de diferentes redes e estações, Urupema, Urubici e a localidade de Terra do Gelo, em Bom Jardim da Serra, registraram −2,1°C. A relação reúne medições da Epagri, estações particulares e outras redes.
Em São Joaquim, a mínima relacionada foi de −1,4°C. Painel registrou −1,2°C; Lebon Régis, −0,5°C; e Campo Belo do Sul, −0,1°C. Os valores correspondem aos pontos de medição e podem variar dentro de um mesmo município, conforme altitude, relevo e localização dos sensores.
Operação durante a noite para proteger maçãs
Nos pomares do Caminhos da Neve, em São Joaquim, o frio exigiu o acionamento de um sistema antigeada Wind Machine, da Orchard-Rite. Segundo as informações apuradas no local, a temperatura chegou a aproximadamente −1,5°C, e a máquina permaneceu funcionando por mais de seis horas, desde a noite de domingo (18).
O objetivo foi reduzir o risco de congelamento dos pequenos frutos da maçã, que começam a se desenvolver nesta época. Conforme as informações da operação, o motor consome mais de 40 litros de diesel por hora, evidenciando o custo da proteção durante uma noite de temperaturas negativas.
O equipamento foi utilizado como medida de defesa da produção. A extensão de eventuais perdas, tanto nas áreas protegidas quanto nos demais pomares, depende de avaliação em campo.
Foto de produtor mostra gelo sobre macieira em Passo Novo
Um registro enviado por um produtor de maçã da localidade de Passo Novo, distrito de Pericó, no interior de São Joaquim, mostra a formação de gelo sobre folhas e estruturas de frutificação de uma macieira. A imagem evidencia a exposição das plantas ao frio nesta fase sensível, mas, isoladamente, não permite determinar a extensão de possíveis danos.

Como o sistema antigeada protege os pomares
Instalado sobre uma torre, o grande ventilador atua na mistura das camadas de ar sobre o pomar para reduzir o risco de congelamento de flores e frutos em formação.
Em noites de céu aberto e pouco vento, o solo e as plantas perdem calor, e o ar próximo à superfície pode ficar mais frio que o de uma camada acima. Essa condição é chamada de inversão térmica.
Ao misturar o ar relativamente mais quente das camadas superiores com o ar frio próximo às plantas, o equipamento ajuda a elevar a temperatura ao redor dos frutos. A proteção depende da presença dessa camada de ar mais quente, da intensidade e duração do frio e das características do terreno. O sistema reduz o risco de danos, mas não garante proteção em todas as condições de geada.
Por que a geada de primavera preocupa
O frio necessário às fruteiras durante o repouso de inverno tem efeitos diferentes daquele que ocorre após a retomada do crescimento. Na primavera, flores, brotações e frutos recém-formados apresentam maior vulnerabilidade.
Além das maçãs, a preocupação envolve frutas de caroço, como pêssegos, ameixas e nectarinas. A Epagri/Ciram destaca que geadas após a brotação podem causar grandes prejuízos nessas culturas, devido à sensibilidade das estruturas florais e dos frutos em desenvolvimento.
O risco varia conforme a espécie, a cultivar, o estágio de desenvolvimento e o tempo de exposição ao frio. Por isso, a temperatura mínima de uma estação, isoladamente, não permite determinar o percentual de perdas de um pomar.

Mínimas do levantamento
| Município ou localidade | Temperatura |
|---|---|
| Urupema | −2,1°C |
| Urubici | −2,1°C |
| Bom Jardim da Serra — Terra do Gelo | −2,1°C |
| São Joaquim | −1,4°C |
| Painel | −1,2°C |
| Lebon Régis | −0,5°C |
| Campo Belo do Sul | −0,1°C |
| Vargem | 0,1°C |
| Ponte Alta do Norte | 0,1°C |
| Água Doce | 0,1°C |
| Tangará | 0,3°C |
| Fraiburgo | 0,7°C |
| Caçador | 1,0°C |
Fonte: dados compilados por Coutinho e P. Scheuer, com registros de diferentes redes e estações.
Nos pomares sem proteção antigeada, as temperaturas negativas podem provocar danos significativos e comprometer parte da produção, especialmente onde os frutos estão em fases mais sensíveis. O cenário exige acompanhamento: poucas horas de congelamento podem afetar o resultado de meses de trabalho dos produtores.