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Pedofilia: Por que continuamos falando sobre Pedofilia?

Você sabia que, de acordo com a Secretaria Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente, a cada 24 horas, 320 crianças e adolescentes (de 0 a 19 anos) são vítimas de exploração sexual? Do total de estupros no território brasileiro, 70% são contra essa parcela da população.

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E se você acha que apenas as meninas são vítimas, os dados mostram que os meninos também sofrem abusos.violencia-sexual-contra-criancas-e-adolescentes-v2

Para o ECA (Estatuto da Criança e do Adolescente), a criança é a pessoa até 11 anos de idade e o adolescente entre 12 e 18 anos.

De acordo com a Organização Mundial de Saúde(OMS), a violência sexual é compreendida como qualquer ato sexual, tentativa de obter um ato sexual, comentários ou investidas sexuais indesejadas, de alguma forma, voltados contra a sexualidade de uma pessoa, usando a coação, praticada por qualquer pessoa, independentemente de suas relações, em qualquer cenário, inclusive no domicílio e no trabalho, mas não limitada a eles.

 

O que fazer em caso suspeito ou confirmado de violência sexual?

Todo caso suspeito ou confirmado de violência sexual deverá ser comunicado às autoridades. No Brasil, o canal mais indicado para denunciar é o disque 100, do governo federal, que não necessita de identificação do denunciante. Funciona diariamente, 24 horas. As ligações podem ser feitas de todo o Brasil por meio de discagem direta e gratuita, de qualquer terminal telefônico fixo ou móvel, bastando discar 100. As denúncias podem ser anônimas, e o sigilo das informações é garantido, quando solicitado pelo demandante. Também é possível procurar o Conselho Tutelar, Ministério Público ou a Delegacia de Polícia e registrar um Boletim de Ocorrência.

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É fundamental que a vítima seja encaminhada a um Posto de Saúde para atendimento clínico e psicológico. O atendimento imediato aos casos de violência sexual recente (até 72 horas da agressão) permite oferecer medidas de proteção, como contraceptivos de emergência e as profilaxias das ISTs (Infecções Sexualmente Transmissíveis), hepatite B e HIV, evitando danos futuros para a saúde.

 

Quem pode denunciar?

Qualquer pessoa que conheça a criança e perceba mudanças comportamentais, sendo mãe, pai, avós, tios, amigos, colegas, professores etc.

 

Notificações de casos em Santa Catarina

Os dados alarmantes são um registro do Sistema Nacional de Atendimento Médico – SINAM,  e numeram casos notificados entre crianças e adolescentes entre 10 e 19 anos.

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Como proteger seu filho?

(O texto abaixo foi retirado do site da BBC – clique aqui para ler a matéria na íntegra)

Em entrevista à BBC Brasil, a nadadora Joanna Maranhão, vítima de abuso na infância, defendeu que a educação sexual é mais importante do que a caça a pedófilos no combate à violência sexual contra crianças.

No Brasil, esse é um tema considerado tabu e “restrito para adultos”; por isso, poucas escolas adotam um programa específico para tratar questões como abuso sexual, gravidez precoce, doenças sexualmente transmissíveis (DSTs), diversidade sexual, entre outras.

No entanto, já existem correntes de pensamento que defendem o ensino de educação sexual para crianças nas escolas justamente com o objetivo de ajudar a evitar esses problemas no futuro.

“Quando a criança já sabe alguma coisa de educação sexual, ela aprende a lidar com o que está acontecendo, fica preparada para isso”, diz a educadora sexual Maria Helena Vilela, do Instituto Kaplan, que promove a capacitação de professores na área.

“Já a criança não preparada se torna um alvo muito mais fácil para abusos. A descoberta sexual começa na infância, se você não trabalha isso, você exclui a sexualidade da criança.”

Para preencher o que veem como “lacuna” nas escolas, algumas ONGs e institutos oferecem atividades para crianças e treinamento para professores sobre educação sexual.

A própria Unesco (Organização das Nações Unidas para a Educação, a Ciência e a Cultura) lançou uma cartilha mundial em 2010 com uma “Orientação Técnica Internacional sobre Educação em Sexualidade” para ser usada como base nas escolas.

A BBC Brasil consultou especialistas e preparou uma lista com estratégias que podem ser adotadas para ensinar educação sexual para crianças.

 

1) Reconhecimento do corpo: diferenças entre meninos e meninas

A primeira coisa que pode ser ensinada às crianças é o reconhecimento do corpo delas e as diferenças entre os meninos e as meninas. “Passamos para as crianças a ideia de que os corpos de menino e menina são diferentes e aí trabalhamos a questão do respeito”, explica Vilela. “Na hora que ela perceber que não está sendo respeitada, significa que é para parar ali.”

Para Vilela, o tema é um forte tabu para muitos pais. “Quando eles sabem que os professores estão falando algo para os filhos sobre sexo, eles já acham que os filhos vão começar a transar e ficam preocupados. Há uma grande resistência.”

“O reconhecimento do corpo não vai fazer nenhum mal para as crianças, só vai fortalecê-las.”

Em sua cartilha, a Unesco diz que “pesquisas de todo o mundo indicam claramente que a educação sexual raramente leva a um início sexual precoce, se é que o faz”.

“A educação sexual pode levar a um comportamento sexual mais tardio e mais responsável, ou pode não ter nenhum impacto discernível sobre o comportamento sexual”, diz o documento.

Vilela afirma ainda que é importante também ensinar a criança a cuidar de seu corpo. “O objetivo é fazer essa criança se tornar uma pessoa autônoma nesses cuidados. Quanto menos ela precisar de alguém que a limpe, que a lave, menos exposta ela vai estar e mais autonomia ela tem.”

 

2) O que pode e o que não pode, partes do corpo que são ‘públicas’ e outras que são ‘privadas’

Outra questão importante é explicar para a criança quais partes do corpo podem ser tocadas e quais não podem. “Elas precisam entender o conceito de público e privado. Entender que essas partes privadas do corpo, as pessoas não podem tocar”, disse a educadora do Instituto Kaplan.

Vítima de abuso na infância, a nadadora Joanna Maranhão trabalha essa questão em atividades que promove com a ONG que fundou, a Infância Livre.

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3) O dono do seu corpo é você

Além de ensinar o reconhecimento do corpo à criança, é preciso também passar para ela a ideia de que aquele corpo tem um dono.

“Seu corpo é seu: ninguém pode tocá-lo sem sua permissão. Estabelecer uma comunicação direta com as crianças logo cedo sobre as partes privadas do corpo, usando os nomes corretos para as genitais, vai ajudar as crianças a entender o que é permitido para adultos que estejam em contato com eles. E vai ajudar a identificar comportamentos abusivos”, diz a cartilha elaborada pelo Conselho da Europa para defesa dos Direitos Humanos sobre o tema.

“Elas precisam entender o funcionamento desse corpo, que ele tem sensibilidade, tem sensações, que essas sensações podem ser gostosas, mas podem também não ser. Vale pra qualquer parte do corpo. Carinho é uma coisa que a gente só recebe quando quiser”, afirmou Vilela.

 

4) Estratégia: não gostou? Conte para alguém de confiança

Outra medida de proteção contra abusos é conscientizar as crianças de que, caso alguém faça alguma coisa que elas não gostem, é preciso contar isso para uma pessoa de confiança.

“Vá embora! Conte. Essa é uma das estratégias que devem ser ensinadas às crianças para que elas estejam preparadas a dizer ‘não’ a contatos físicos que julgarem inapropriados e para fugir de situações pouco seguras. Além disso, elas precisam contar o que aconteceu a um adulto de sua confiança o quanto antes”, é a orientação da cartilha europeia.

Muitas vezes, o abusador da criança é alguém muito próximo, da família até. Sendo assim, é importante também que os adultos próximos estejam preparados para ouvir o que a criança tem a dizer e não desacreditá-la logo de cara.

“Esse é um trabalho ainda mais complicado, com o adulto. Ele precisa dar ouvidos à criança”, diz Vilela.

“Porque geralmente (o abuso) é com uma pessoa próxima. A reação dos pais normalmente é ‘não seja mal educado’. O adulto precisa estar atento à mudança de comportamento da criança e, quando ela fizer a queixa, investigar em vez de logo desacreditá-la”, concluiu Vilela.

 

Todo cuidado é pouco quando se fala em prevenção!
Fique atento aos sinais!

Essa é uma matéria editada por Beatriz Rosa Chiodeli, do São Joaquim Online, em uma parceria com o CREAS, Dra. Dayana Kisner Grings (Advogada), Karine Rodrigues (Acadêmica de Investigação e Perícia Criminal), Dra. Regiane Viana da Silva (advogada), Elisângela da Rosa (pesquisadora) e Sallime Chehade (Pedagoga, Jornalista, Graduanda em Direito e Pós-graduanda em Psicologia Infantil, coordena o Movimento Social Diga não à Pedofilia há 7 anos, clique aqui e conheça a FanPage) e  Dr. José Nazareno Goulart Junior (ginecologia & obstetrícia CREMESC 13023 RQE 8001).

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