Arbitragem, mediação e outros métodos extrajudiciais ganham espaço nas relações empresariais. Em dez anos, plataforma especializada registra R$ 124 bilhões em processos
A busca por alternativas à Justiça tradicional está transformando a maneira como as empresas brasileiras lidam com seus conflitos. Em um ambiente de negócios que exige cada vez mais agilidade, previsibilidade e segurança jurídica, métodos como arbitragem, mediação, conciliação e Dispute Boards vêm ganhando espaço como caminhos para solucionar controvérsias sem necessariamente recorrer ao Judiciário.
Os números ajudam a dimensionar esse movimento. Segundo a pesquisa Arbitragem em Números 2025, o valor total envolvido nas arbitragens iniciadas no Brasil em 2024 chegou a R$ 76 bilhões, um crescimento de 162% em relação a 2023.

Outro indicador vem da Adam Tecnologia, empresa especializada em soluções tecnológicas para métodos adequados de solução de conflitos, que atende cerca de 90% das câmaras privadas do país. Com 25 anos de atuação no mercado, a empresa completa uma década de operação com seu sistema atual, que já viabilizou R$ 124 bilhões em processos envolvendo esses métodos.
“Os dados refletem uma transformação na cultura de gestão de conflitos. Em disputas que envolvem contratos, obras, relações societárias e operações comerciais, o tempo de resolução pode representar custos financeiros, comprometer projetos e desgastar as relações entre as partes”, destaca Roberto Adam, CEO da empresa e vice-presidente da FECEMA – Federação das Entidades de Conciliação, Mediação e Arbitragem, sediada em Santa Catarina.
Uma das empresas que utilizam essas ferramentas é a Irineu Imóveis, há 40 anos no mercado. “Nós usamos a arbitragem na negociação com clientes em dívida. Cerca de 98% dos clientes que vão para a câmara de mediação e arbitragem fecham a negociação. Antes, a gente judicializava tudo e tinha processos com mais de 20 anos. Agora é tudo mais rápido, porque ao fim da arbitragem é emitido um título executivo, o que nos traz garantia e segurança jurídica”, explica Ticiane Machado Belmonte do Prado, sócia e gerente administrativa da empresa.

A construtora Rôgga, do norte de Santa Catarina, também relata uma experiência positiva com a Câmara de Mediação e Arbitragem de Joinville. “A sólida experiência, a firmeza técnica e a excelência da mediadora na condução das negociações foram determinantes para criar um ambiente de diálogo seguro e construtivo. Graças a esse trabalho, alcançamos um encaminhamento muito favorável e um desfecho que atendeu plenamente às nossas expectativas”, relata Alessandro Thomas Merkle, diretor administrativo e financeiro da empresa.
Evento discute as três décadas da lei que transformou a resolução de conflitos
Em 2026, a Lei nº 9.307/1996, conhecida como Lei de Arbitragem, completou 30 anos. O marco é uma oportunidade para avaliar os avanços conquistados pelo setor e discutir os próximos caminhos da resolução extrajudicial de conflitos no Brasil.
Tecnologia, inteligência artificial, expansão das câmaras privadas, práticas colaborativas e novas formas de prevenção de disputas estão entre os temas que fazem parte dessa transformação.
É nesse contexto que a FECEMA realiza, nos dias 12 e 13 de novembro, o XIV SECMASC – Seminário de Métodos Adequados de Solução de Conflitos. Com programação 100% on-line, o encontro reunirá especialistas de referência nacional para discutir os 30 anos da Lei de Arbitragem e os novos caminhos para o setor.

A programação começa na quinta-feira (12), com uma conversa especial sobre as três décadas da Lei de Arbitragem, com Asdrubal Nascimento de Lima Júnior e Gabriel de Britto Silva.
Na sexta-feira (13), os debates abordarão mediação e práticas colaborativas, Dispute Boards aplicados à construção civil e ao mercado imobiliário, e mediação empresarial preventiva. A programação inclui ainda dois workshops gratuitos: um dedicado ao futuro das câmaras privadas, com discussões sobre tecnologia, inteligência artificial, credibilidade e sustentabilidade, e outro com um estudo de caso prático sobre Dispute Boards.
Mais do que discutir instrumentos jurídicos, o seminário pretende ampliar o debate sobre como empresas, profissionais e instituições podem desenvolver uma nova cultura de prevenção e administração de conflitos.
SERVIÇO:
XIV SECMASC – Seminário de Métodos Adequados de Solução de Conflitos
Data: 12 e 13 de novembro de 2026
Formato: 100% on-line
Realização: FECEMA – Federação das Entidades de Conciliação, Mediação e Arbitragem.
Inscrições: workshops gratuitos, mediante inscrição prévia. Palestras e painéis gratuitos para filiados e associados à FECEMA, estudantes e professores. Para profissionais em geral, R$ 50; apoiadores e patrocinadores, R$ 35.
Informações e inscrições: https://fecema.org.br/secmasc/
