Luto no Jornalismo da Serra Catarinense com a morte de Névio Fernandes

O veterano e reconhecido profissional de comunicação morreu aos 87 anos de idade em Lages, vítima de uma parada cardíaca. Tinha mais de seis décadas de atividade profissional.

 

Construir uma carreira dentro do jornalismo é uma dádiva para poucos profissionais, dentre eles vale destacar o Lageano Névio Fernandes, nascido em 1934. Aos 13 anos de idade escreveu o primeiro jornal a punho, neste jornal ele destacava aspectos políticos, coisas da infância e do dia-a-dia das pessoas. 

 

O jornal era semanário e passava de mãos em mãos, em 1947 umas das edições chegou até ao governador Aderbal Ramos da Silva, que elogiou a iniciativa, mas para o sucesso do jornal Névio contava com o apoio de sua mãe, a noite ela contava os fatos que presenciou e as notícias que ficou sabendo, seu filho escrevia tudo para divulgar na próxima edição. 

 

Em seguida sua carreira alavancou e foi chamado para colaborar com Jornal Correio Lageano, ele fazia matérias para as editorias de polícia e esportes, frequentava a delegacia e o Hospital Nossa Senhora dos Prazeres diariamente em busca de notícias, naquela época era comum acidentes de trabalho nas serrarias o que lotava a emergência do hospital, muitos trabalhadores tinham, dedos, mãos e até outros membros decepados pelas serras fita.

 

Em 1956 participou da primeira assembleia de crônica esportiva em Joinville. Dois anos mais tarde, em 1958 assumiu como editor chefe da redação do Correio Lageano onde ficou por 40 anos nesta função. Recebeu diversos prêmios, entre eles honrarias do Exército Brasileiro, homenagens da Câmara de Vereadores de Lages por duas vezes e da Assembleia Legislativa de Santa Catarina, (ALESC) também por duas vezes.

 

No tempo em que esteve à frente do maior jornal da Serra Catarinense, teve a oportunidade de entrevistar importantes personalidades como ex presidentes, Nereu Ramos, Juscelino Kubitschek, Jânio Quadros, João Batista Figueiredo e Fernando Henrique Cardoso, recebeu na sede do Correio Lageano o ex presidente Lula quando era apenas candidato sendo o único presidente que visitou a redação.

 

Névio não tem a formação de jornalista, tudo o que aprendeu foi na prática, muitos fatos marcaram sua trajetória no Correio Lageano, um acidente com um ônibus de evangélicos em 1976 na BR-116, próximo à Ponte Alta onde morreram 76 pessoas que retornavam de Porto Alegre. 

 

Durante uma cobertura esportiva na cidade de Urubici de uma delegação de um clube Lageano o ônibus quebrou, o repórter  tinha compromisso no dia seguinte em Rio do Sul na inauguração da Mercedes-Benz do Brasil, como ele não chegaria em tempo precisou encarar uma caminhada de Urubici à Bocaina do Sul, fazendo cerca de 70 km a pé onde passava uma linha de ônibus. 

 

Outro fato que marcou sua carreira foi a ameaça de morte que um funcionário do Correio Lageano recebeu em 1959, foi veiculada uma reportagem e um cidadão invadiu a redação armado com um revólver. Em um determinado dia Névio conversava com uma secretária e de repente um rodado de caminhão destruiu a vidraça e por pouco não atingiu os dois, estas e outras histórias fizeram parte da vida de Névio. 

 

Mesmo após se afastar da função de Editor Chefe no CL ainda contribuiu com o impresso até o fechamento, escrevia duas colunas por semana, uma sobre algum personagem ilustre e outra sobre assuntos gerais. Em toda sua trajetória no Correio Lageano escreveu mais de 10 mil artigos e mais de 250 mil matérias.  Névio é considerado uma lenda do jornalismo na Serra Catarinense que atuou como jornalista aos 73 anos.

 

Associação Catarinense de Imprensa lamenta o falecimento do jornalista Névio Fernandes 

A Associação Catarinense de Imprensa (ACI)/Casa do Jornalista lamenta o falecimento ocorrido nesta quinta-feira (22/07), em Lages, do jornalista, economista e escritor Névio Santana Fernandes.

 

O jornalismo gráfico estava no sangue de Névio Santana Fernandes que desde os 13 anos trabalhava em jornal e brilhou nas páginas da imprensa serrana. Em 2012, a ACI prestou a ele significativa homenagem durante o 5º Encontro da Imprensa Catarinense, em Chapecó, por 50 anos de dedicação ao jornalismo.

 

Névio nasceu em Lages (SC) em 20 de junho de 1934. Era casado com Leonete Aparecida Lins Fernandes e tinha seis filhos. Com apenas 13 anos de idade iniciou a vida jornalística escrevendo um jornal de próprio punho, denominado A Cidade que circulava semanalmente e era lido de mão em mão.

 

Com o apoio de algumas personalidades locais passou a ser correspondente da Gazeta Esportiva de São Paulo e do Diário de Notícias, de Porto Alegre. Paralelamente colaborava com os jornais locais Guia Serrano e Região Serrana. Em 1956 ingressou no Correio Lageano, a convite do empresário José Paschoal Baggio onde, por 39 anos foi editor-chefe. 

 

Escreveu mais de 10 mil artigos. Na vivência de mais de 50 anos na redação do Correio Lageano teve oportunidade  de entrevistar dez presidentes da República e um Primeiro-Ministro, por ocasião do regime parlamentarista na década de 60.

 

Era considerado o decano da imprensa da Serra Catarinense. Acompanhou toda a trajetória do Correio Lageano, desde a circulação semanal até a diária, inclusive a informatização do jornal, a partir dos anos 90. Névio Fernandes presidiu a Associação Lageana de Escritores e participou do Conselho Municipal de Política Cultural, na cadeira de Literatura. Memória e Patrimônio.

 

O jornalista acompanhou o auge do ciclo da madeira, viu Lages aumentar em mais de cinco vezes sua população sempre atrás de um bloco de notas. Jornalista dotado de uma memória fora do comum, gostava de fazer matérias sobre educação. Palmeirense, cinéfilo e lageano nato, já foi suplente de vereador.

 

 

 

 

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