Trump acusa Brasil de censura após mudança no algoritmo do X para as eleições

WASHINGTON/BRASÍLIA — Trump acusa o Brasil de censura. A acusação partiu de uma autoridade de alto escalão do governo americano, neste domingo (16/8), depois que a rede social X anunciou mudanças no seu sistema de recomendações para o período eleitoral brasileiro de 2026. Assim, a declaração não deixou margem para dúvidas sobre o tom que a Casa Branca pretende adotar.

A declaração partiu de Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado dos EUA para Diplomacia Pública. Por isso, não deixou margem para dúvidas sobre o tom que a Casa Branca pretende adotar. Em publicação nas redes sociais, ela classificou a mudança no X como prova da “censura imposta pelo Brasil”. A frase viralizou em poucas horas e reacendeu o debate sobre liberdade de expressão, soberania judicial e regulação de plataformas digitais.

Por que Trump acusa o Brasil de censura

 

Trump acusa Brasil de censura em postagem de Sarah Rogers no X
Postagem da Sub Secretária de Estado Sarah B. Rogers (@UnderSecPD)
“Esse tipo de transparência algorítmica é exatamente o que muitos reguladores afirmam desejar. Ele também sinaliza a censura imposta pelo Brasil:”  Postagem citada (X Open Source / @XOpenSource): “A atualização de hoje do ‘Para Você’ já está no repositório de código aberto. Atualizações notáveis: Como os pesos de classificação realmente funcionam Um novo filtro exigido para as eleições de 2026 no Brasil…”

No centro da polêmica está um ajuste técnico anunciado pelo próprio X na última sexta-feira (14/8). Trata-se, assim, da criação do filtro batizado “Brazil2026ElectionFilter“, aplicado à aba “Para Você” da plataforma. Na prática, portanto, a ferramenta impede que publicações de candidatos sejam recomendadas automaticamente a usuários que não seguem essas contas.

Segundo a própria rede social, porém, a mudança não é punição nem alteração das regras da plataforma. Pelo contrário, ela é cumprimento direto de uma determinação da Justiça Eleitoral brasileira. Nesse sentido, a norma está prevista na Resolução nº 23.610/2019 do Tribunal Superior Eleitoral, e exige que provedores com sistemas de recomendação excluam das sugestões perfis oficiais de candidatos registrados na Justiça Eleitoral, com exceção dos casos de impulsionamento pago. Além disso, nenhum conteúdo é removido, e nenhuma conta é suspensa: os posts continuam acessíveis a quem busca diretamente pelos perfis.

Sarah B. Rogers, subsecretária de Estado dos EUA, acusa Brasil de censura
Sub Secretária de Estado Sarah B. Rogers

Ainda assim, para o governo americano, o gesto tem outro nome.

Um front a mais na guerra fria entre Trump e Lula

A acusação de Rogers não surge isolada. Pelo contrário, ela se soma a uma escalada que já dura meses, Trump já havia se manifestado sobre as eleições brasileiras em outras ocasiões. Nesse período, tarifas mais altas sobre produtos brasileiros, restrições ao visto da embaixadora Maria Luiza Viotti e críticas cada vez mais ácidas de Washington a decisões judiciais brasileiras compõem, juntas, um quadro de desgaste que parece longe de arrefecer.

Tensão diplomática entre os governos de Lula e Trump
Americanos acusam Brasil de Censura

Na semana passada, a tensão ficou ainda mais evidente. Assim, o secretário de Estado americano, Marco Rubio, classificou a postura do governo Lula nas negociações comerciais como de má-fé. Segundo ele, essa postura seria parte da responsabilidade pelas tarifas impostas pelos EUA. Além disso, o cenário se agrava: reportagens recentes indicam que a administração Trump avalia novas sanções contra o ministro do STF Alexandre de Moraes. Esse nome, aliás, já é alvo de ações judiciais movidas por empresas ligadas ao próprio Trump nos Estados Unidos.

Uma disputa que ainda vai longe

Charge sobre censura e transparência no algoritmo do X
Charge – Censura e Transparência no X

O episódio expõe, mais uma vez, o embate entre duas visões inconciliáveis. De um lado, o Brasil defende a aplicação de suas próprias regras eleitorais como exercício legítimo de soberania judicial. Do outro, o governo americano enxerga nessas mesmas regras uma ameaça à liberdade de expressão nas redes.

As eleições brasileiras estão no horizonte de 2026, e a retórica entre os dois governos fica cada vez mais afiada. Diante disso, resta uma pergunta: até onde vai essa escalada, e quem vai ceder primeiro?

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