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Início » Saúde » Luz emitida por celulares antecipa processo de maturação sexual, diz estudo

Saúde

Luz emitida por celulares antecipa processo de maturação sexual, diz estudo

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Última atualização: 19 de setembro de 2022 11:12
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A exposição regular à luz azul pelo uso de tablets e smartphones já foi associada a danos na retina, insônia e problemas na pele. Agora, um estudo apresentado na 60ª Reunião Anual da Sociedade Europeia de Endocrinologia Pediátrica apontou um novo malefício: o risco de puberdade precoce. Realizada em modelos animais, a pesquisa constatou níveis reduzidos de melatonina e aumentados de alguns hormônios reprodutivos, além de alterações físicas nos ovários de ratos fêmeas expostas com frequência a essa fonte luminosa artificial.

Segundo os autores, a luz azul inibe o aumento noturno dos níveis de melatonina, que prepara o corpo para descansar e dormir. As taxas desse hormônio são geralmente mais altas durante a pré-puberdade do que na puberdade, um processo complexo que envolve a coordenação de vários sistemas orgânicos.
Nos últimos anos, vários estudos relataram aumentos no início da puberdade precoce para meninas, principalmente durante a pandemia da covid-19. A ligação entre a exposição à luz azul e níveis reduzidos de melatonina sugere que o aumento do tempo de tela, como durante as restrições da pandemia, pode estar desempenhando um papel nesse aumento relatado. No entanto, é muito difícil avaliar isso em crianças, justificam os autores, de diversas instituições médicas em Ancara, na Turquia.

Ovários

No estudo, a equipe de Aylin Kilinç Uurlu, do Ankara City Hospital, na Turquia, usou um modelo de rato para investigar os efeitos da exposição à luz azul nos níveis de hormônios reprodutivos e no momento do início da puberdade. As fêmeas foram divididas em três grupos de seis e expostas a um ciclo de iluminação normal, de seis horas, ou 12 horas de luz azul.

Os primeiros sinais de puberdade ocorreram significativamente mais cedo em ambos os grupos expostos à luz azul, e, quanto maior a duração da exposição, mais cedo o início da puberdade. Ratas expostas a esse tipo de iluminação também apresentaram níveis reduzidos de melatonina e elevados de hormônios reprodutivos específicos (estradiol e hormônio luteinizante), bem como alterações físicas em seu tecido ovariano, todas consistentes com o começo da puberdade. As fêmeas do grupo de 12 horas também mostraram alguns sinais de dano celular e inflamação em seus ovários.
“Descobrimos que a exposição à luz azul, suficiente para alterar os níveis de melatonina, também é capaz de alterar os níveis de hormônios reprodutivos e causar início precoce da puberdade em nosso modelo. Além disso, quanto maior a exposição, mais cedo o início”, disse Uurlu. Porém, ele faz uma ressalva: “Como esse é um estudo com ratos, não podemos ter certeza de que essas descobertas seriam replicadas em crianças, mas os dados sugerem que a exposição à luz azul pode ser considerada um fator de risco para o início precoce da puberdade”.

De acordo com o pesquisador, o ponto de tempo da puberdade em ratos é equivalente ao de humanos, se ajustado para a menor expectativa de vida desses animais. As alterações hormonais e de ovulação que ocorrem durante a pré-puberdade e puberdade nas fêmeas também são comparáveis às de meninas.
A equipe planeja investigar os danos celulares e os efeitos inflamatórios detectados após uma exposição maior à luz azul, pois isso pode ter impactos de longo prazo na saúde reprodutiva e na fertilidade. Os cientistas também avaliarão se o recurso de filtragem disponível em alguns dispositivos móveis pode reduzir os efeitos observados no modelo de rato.

“Embora o estudo não seja conclusivo, aconselhamos que o uso de dispositivos emissores de luz azul deve ser minimizado em crianças pré-púberes, especialmente à noite, quando a exposição pode ter os maiores efeitos de alteração hormonal”, conclui Uurlu.

Fonte: Correio Brasiliense

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