Ao Faraó Ramsés – Paraíso – Cosmos

Por Henrique Córdova

Majestade,

Há muito tempo aguardava o aparecimento de um historiador, que fosse capaz de contar o que foi o Egito, Reino das Duas Terras, durante a XIX dinastia, quando Vossa Majestade reinou, por 60 esplendorosos anos, como sucessor do grande Sethi, Faraó adorado pelo seu povo, que transformou o Império no mais poderoso de seu tempo.

Sethi, seu pai, casado com Touya, sua mãe, viviam em invejável harmonia e partilhavam o poder com tanta sabedoria, que a falta de um não comprometeria a sobrevivência e a integridade do Império. Touya era uma mulher sábia – verdadeira instituição social e religiosa. Sethi, um chefe religioso, cuja mística transbordou numa vivência espiritual transcendente e um governante de tirocínio, eficiência, perspicácia e autoridade incontestáveis.

Assim, a posteridade conheceu seus pais, Majestade, mas poucos, muito poucos, hoje sabem que eles tiveram três filhos, dois homens – Chenar e Vossa Majestade – e uma mulher, Dolente. Chenar, o primogênito, ardiloso e político palaciano, seria o sucessor de Sethi. Vossa Majestade, apaixonado e vigoroso, embora desejoso de suceder ao pai, respeitava a regra sucessória e, como todos os egípcios, esperava a proclamação de Chenar como novo Faraó, o que deveria ocorrer em vida de Sethi.

Ninguém, nem mesmo Touya, percebeu que, aos poucos, Sethi iniciava Vossa Majestade nos mistérios do poder, até que, quando menos esperavam, para o desespero de Chenar e decepção de Dolente, foi proclamado o novo Faraó do Egito, o soberano das Duas Terras.

Muito rápida e superficialmente, a história geral, conta o que foi o seu reinado e, mais ainda, como ele se constituiu, se consolidou e atuou, na defesa e manutenção de suas fronteiras, com prosperidade, brilho e glória.

Havia , pois , necessidade , até para obturar lacunas na cultura popular universal , do surgimento de alguém que , com autoridade e fundamentado em pesquisas sérias , divulgasse a origem , o desenvolvimento e a culminância do seu Reinado .Este alguém , para o gozo indizível das mentes vivas e curiosas , que se alimentam da beleza e do bem , surgiu em Christian Jacq , o egiptólogo e romancista francês, nascido em Paris , em 1947 , mas que muitos , dos que negam a fragmentação do tempo e acreditam na eternidade , como Sholem Asch , autor do maravilhoso “ O Nazareno ” , consideram contemporâneo do Faraó Ramsés , tal a segurança e a riqueza de detalhes com que ele revive aquele fascinante período da história egípcia em seus irrepreensível romance , com cinco volumes ( O filho da luz , O templo de milhões de anos , A batalha de Kadesh , A dama de Abu-Simbel e Sob a acácia do ocidente ) fáceis e agradáveis de ler .

Sem perder as verdadeiras referências históricas, Jacq leva, pela mão, o leitor para todos os recantos mágicos do Egito antigo, colocando-o dentro do cenário fascinante, onde se realiza a avançada e encantadora civilização, que se desenvolveu no norte da África, entre a Núbia, ao sul e o Mar Mediterrâneo, ao norte.

Vossa Majestade verá , que Jacq retrata , com fidelidade e realces , as personalidades de Ameni , o escrivão do Império , seu leal e eficiente amigo , colega de escola mais franzino do grupo composto pelo hebreu Moisés , futuro líder de seu povo , o mestre do obras da construção da nova Capital do Império , Pi-Ramsés , a Cidade Turquesa, estrategicamente edificada no delta do Nilo ; por Setaou , o farmacêutico e mago do Império, que alternava a extração do veneno de serpentes , para a produção de medicamentos no laboratório do Palácio , com ardentes momentos de amor , no regaço da escultural núbia de ébano , que o acompanhou sempre e que foi admitida na corte e no círculo íntimo do Faraó , onde cintilavam as estrelas de Nefertari e Iset a Bela , mães , respectivamente , de filha e filho de Vossa Majestade , nas condições de primeira e segunda esposas , uma cândida , frágil e generosa, a outra , Iset , impetuosa , carne e paixão ; por Acha , o genial diplomata, experto , leal , itinerante , corajoso , independente e ardoroso patriota e amante de sua profissão .

A batalha de Kadesh, descrita por Jacq , é um quadro de surpreendente encanto e de uma dinâmica , que trai a intervenção divina em um combate , onde a tática empregada por um só homem , movido por forças sobrenaturais , derrota o aguerrido e compacto exército hitita , comandado pelo pétreo Muwatali .

É comovente e, ao mesmo tempo, sublime a narração de seu tranqüilo passamento, Majestade, à sombra de uma acácia do ocidente, após 89 anos de peregrinação, no vale generoso do Nilo e 60 anos de reinado, através do qual, o Egito, maior Império do mundo apesar das “ pragas”, viveu momentos de grandeza, prosperidade e paz.
A minha vontade era o de enviar ao barco de cristal, em que Vossa Majestade navega eternamente, pelos infinitos mares de silêncio, ao lado de sua venerada Nefertari, sob os olhares orgulhosos de Touya e Sethi, os cinco exemplares de ouro de “Ramsés”, escritos pelo inigualável Christian Jacq. Infelizmente ainda não é possível, mas em pouco tempo, pela Internet cósmica, movida por forças até agora não exploradas de nossos cérebros, estou certo de que próprio autor da obra prima a enviará a Vossa Majestade, que a entregará ao seu hóspede mais ilustre – Homero – para lê-la , em vós alta e melodiosa , sob um limoeiro em flores , aos goles de anis …na singradura sem fim .
Inclino-me respeitoso ante Vossa Majestade
Henrique Córdova

Em tempo: Mais duas grandes obras de Christan Jacq foram publicadas na língua portuguesa: As Egípcias, em que o autor, tratando de mulheres específicas, as retrata no lar, no campo, no comércio, na política, na escola e na religião, para estabelecer um perfil geral da mulher egípcia, em sua autonomia e igualdade com os homens, como nenhuma civilização conheceu.
“A Pedra da Luz”, uma série em quatro volumes (Nefer, o Silencioso; A Mulher Sábia; Paneb, o Ardoroso e o Lugar da Verdade), fala, por meio de uma trama de traições, a sobrevivência de uma comunidade de artesãos responsável, principalmente, pela construção de templos e túmulos dos Faraós. É obra, cuja leitura instrui e encanta.
O mesmo.

 

1 COMENTÁRIO

  1. Faraó. Uma lenda real. Caso tivéssemos este como Prefeito, na época, a realidade do nosso Egitosaojoaquim, seria outra realidade, com muitas pirâmides para serem visitadas.
    Infelizmente o camelô passou, e levou nossas esperanças.

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