Volúpia – Por Henrique Córdova

Pés descalços,
O asfalto irregular e abrasivo,
Fa-lo saltitante à frente da mulata esbelta,
Saia mínima ,
Caminhar breve e convulsivo,
À sombra fugidia, de vermelha asa delta .

Na esquina,
Dobra à direita e prossegue adiante,
Em busca da grama úmida do jardim multicolorido,
Regada inteira,
Pela esquecida loura, do braço comprido e dolorido.
Com água fria, pura e abundante,
Fá-lo indiferente.

Em novo caminho,
Ora saltitante, ora em suave repouso,
Fá-lo esperar, a musa,
Novos e desejados encontros,
Para ver a cabrocha,
Fantasiada, e de quem falar não ouso,
Rebolar, provocar,
Sem pudor tirar a blusa.

Olhar brejeiro,
Provocante,
A morena esguia e faceira, um tesouro,
Roça suas pernas num instante,
Passa pelo alto arbusto do bom agouro,
Donde se desprende o inebriante
Perfume da mística Dama da Noite …
Que fá-lo distante.

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