JEITO – Por Henrique Córdova

Cada um tem o seu jeito
E cada jeito tem a sua história.
O que muitos têm feito,
Trago bem claro na memória.

A menina faceira, roda a saia
E espia o jeito de quem a vê
De jeito que o cabelo caia
Em frente à câmera de tevê.

Na cama, com o jeito de feto,
Dorme serena à espera da dama,
Que a acorda com muito afeto,
Para o dia consagrar ao que ama.

A cama plana, sem jeito de ventre,
Não envolve a calma adolescente,
Do jeito da película transparente,
Com o líquido germinal da semente.

O toucador a recebe com bocejos,
Nua, do jeito mesmo que nasceu,
Feitas as abluções, com gracejos,
Parte com jeito de querer himeneu.

Ao amarrar o cordão do seu belo tênis,
Levanta a perna alva e roliça ao banco,
O menino, jeito de homem, de ereto…
Olha aos lados e sente o rosto branco.

À noite, bem ao jeito de altiva princesa,
Vestida de branco, salto alto e cabelo solto,
Com provocante sorriso dirige-se à mesa,
Para o diário festim vital em alegria envolto.

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