Epicuro – Por Henrique Córdova

Quando se fala em epicurismo, a palavra prazer voa e empulera-se na nossa consciência. Nem sempre a sua plumagem multicolorida corresponde às cores pintadas por Epicuro, que morreu aos 72 anos, no século IV a.C. e que deixou inúmeros discípulos e seguidores.

O prazer, base da ética epicurista, não se enlaça na luxúria e na intemperança, como muitos pensam. O prazer, em Epicuro, é a ausência da dor e do sofrimento. É, muitas vezes, abstinência e temperança.

“Quando dizemos, então, que o prazer é o fim, não queremos referi-nos aos prazeres dos intemperantes ou os produzidos pela sensualidade, como crêem certos ignorantes, que se encontram em desacordo conosco ou não nos compreendem, mas ao prazer de estarmos livres dos sofrimentos do corpo e das perturbações da alma”.

“Encontro-me cheio de prazer corpóreo quando vivo a pão e água e cuspo sobre os prazeres da luxúria, não por si próprios, mas pelos inconvenientes que os acompanham”.
O fundamento da filosofia de Epicuro são os sentidos, pois é através deles que nasce o prazer, substância da felicidade, meta suprema do homem.

Ao ler Epicuro, recordo-me das lições preconceituosas e jesuíticas que recebi dos meus “mestres”, mais apreciadores de Zenão e de seu estoicismo e discípulos de Santo Tomás de Aquino. Vejo, então, que muito perdi, não pelo que aprendi, mas pelo que me quiseram ensinar…

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