Incógnita – Por Henrique Córdova

Se eu lembrasse:
A cor dos teus cabelos,
A de tua pele,
A de teus olhos,
A espessura e forma de teus lábios,
A tonalidade de teus dentes,
A intenção do teu sorriso,
Saberia quem tu és?

O sonho, que tive, longo,
Revelou os teus gestos,
Mostrou tuas lágrimas,
O teu sorriso indecifrável,
As tuas mãos sem detalhes,
As tuas vestes indefinidas,
Ora claras, ora escuras, ora coloridas.

Não alcancei o que fazias,
Só sei que algo fazias:
Ias para o norte,
Voltavas, choravas e sorrias,
Misturavas humores…

As tuas passadas, largas e suaves,
Tanto ao ires, quanto ao vires,
Traçavam no caminho nevado,
O monótono desenho, em preto e branco,
Das figuras indecisas,
Até quando a noite começava a cair.

Na claridade do dia que se impunha,
A fumaça que levantava do solo úmido,
Refletindo labaredas do seio da terra,
Mais se dissipava, quanto mais subia.
Em meio à luminosa manhã,
Tão límpida e tão pura.

Lúcido e em vigília,
Nada mais vi,
Nem mesmo senti,
O que na escuridão,
Senti e vi,
Sem distinguir.

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