Quixote e Sancho – Por Henrique Córdova

Zagais fugidios,
De rebanhos imaginários,
Rebentos vadios,
De intermináveis delírios.

Ginete de estrelas nascidas
Numa constelação perdida
De fortes alucinações tecidas
Na fraca mente encanecida.

Marujo de lerdo e frágil barco
Singrando mares revoltos
A braços fantásticos, em arco,
Dos fortes galeotes soltos.

Amante embevecido,
Dolorido de refregas,
Escravo das regras,
Sem igual e vivido.

Justiceiro andante,
De Rocinante cavaleiro,
Conselheiro vibrante
De Sancho escudeiro.

Infinitos saberes,
Em arrazoados e máximas vazados,
Com generosos gestos,
Em insulas grandes e reinos doados,
Inscritos e manifestos.

Sublime de ideais,
Enquanto loucura.
Rasteiro e falaz,
Na lucidez intervalar.

Crédulo e ambicioso,
Obediente e manso,
Segue-o Sancho,
Obeso e sentencioso.

Cavaleiro audaz,
Racionaliza encantamentos.
Escudeiro sagaz,
O penalizam padecimentos
.

Cavaleiro e escudeiro,
Na lucidez concordam;
Na alucinação, luzeiro,
Se vão e desenganam.

Seguem, sem memória
Entre loucura e sisudez,
Pelas trilhas da história,
Eternamente,ou talvez…

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