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Ter filhos é uma parte fundamental do projeto de vida da maioria dos homens e mulheres. Para muitos, constitui um passo importante para o alcance da maturidade e do desenvolvimento pessoal, além de ensejar o cumprimento de um importante papel social. A obstaculização do projeto parental pela infertilidade impõe aos casais que enfrentam o temor da não realização do desejo de maternidade e paternidade um importante sofrimento emocional e social.
Desejar ter filhos e se deparar com uma impossibilidade neste processo, pode produzir uma ampla gama de sentimentos tais como: medo, ansiedade, tristeza, frustração, desvalia, vergonha, desencadeando, por vezes, quadros de estresse importante. A situação de infertilidade pode provocar efeitos devastadores tanto na esfera individual como conjugal e desestabilizar as relações do sujeito com seu entorno social, podendo ocasionar um decréscimo na qualidade de vida.

De acordo com Pereira (1998), a infertilidade é ao mesmo tempo um problema de natureza médica e social; ela ameaça as expectativas das pessoas que, através da procriação, asseguram seu lugar na continuidade das gerações. A esterilidade, neste sentido, tem sido considerada uma “experiência de dilaceração biográfica, caracterizada pelo sofrimento e pelos conflitos pessoais vividos pelos homens e mulheres que atravessam esta situação” (Bury, 1982 in Hardy 1998).
Tendo em vista o caráter intrínseco de sofrimento provocado pela infertilidade, a ansiedade despertada, o intenso desgaste pessoal e conjugal e o impacto produzido sobre os planos e projetos futuros, os aspectos emocionais envolvidos na infertilidade têm merecido especial atenção da Sociedade.
O conceito de infertilidade para a mulher ou para o homem surge após anos de tentativas de engravidar. Até lá, cada menstruação é uma frustração. Aos poucos, o que era para ser um evento feliz se transforma em batalha física e também emocional. A esterilidade ou a infertilidade sempre colocou a mulher em uma condição de inferioridade, submetendo-a a forte discriminação. Ao contrário, a fertilidade e a chegada de um filho sempre foi festejada e abençoada. A união entre um homem e uma mulher sempre enseja uma pergunta: quando chega o bebê? É a pressão da sociedade sobre o casal e principalmente sobre a mulher, a respeito da função reprodutiva. A esterilidade ou infertilidade, vista como um “defeito” biológico, leva à discriminação que alimenta o sentimento de inferioridade e de culpa na mulher, principalmente, pois, desde as mais remotas épocas sempre coube à mulher a responsabilidade pela concepção. Quem enfrenta problemas de fertilidade pode levar anos para conseguir ter um filho e vive um processo de muita angústia e altos custos.



Comentários e perguntas invasivas podem afetar ainda mais o psicológico já abalado de quem não consegue engravidar:
Perguntas como “quando vem o neném”, “estão tentando?”, “por que vocês ainda não tiveram filhos” ou “descobriram o problema?” são desnecessárias, já que este é um assunto particular do marido e a esposa. Afinal, ninguém é obrigado a explicar suas atitudes e sua vida íntima para os outros.
O processo é desgastante e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor, … algo cruel….
O processo é desgastante e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor, … O processo é desgastante e, junto com ele, chega a pressão das pessoas que estão ao redor.
“É uma carga muito grande escutar ‘desencana que a gravidez … (” é algo cultural, que ronda os casais socialmente e responsabiliza a mulher….).
“Esse tipo de peso mexe muito com a questão feminina. Por que eu não mereço, por que não consigo gerar?”
Quanto mais tempo o casal está à espera da gravidez, mais profundo é o efeito que as palavras têm sobre ele.
É um assunto íntimo e pessoal; cada um tem a sua história. Não julgue e tente entender com sensibilidade. Devemos ter empatia, respeitar a privacidade e evitar perguntas embaraçosas. Este assunto pode ser algo doloroso para o casal, e para a mulher princialmente.
Fontes de pesquisa: Lia Dornelles, professora da Universidade de Caxias do Sul (UCS) e psicóloga da Clínica ProSer. Luisa Moreira, uol, no Blog a mente é maravilhosa, artigo, Reprodução assistida de Antônio Henrique Pedrosa Neto e José Gonçalves Franco Júnior … Débora Marcondes Farinati , artigo dissertação de mestrado em psicologia clínica.


