Um sonho de inverno – Por Henrique Córdova

Um sonho de inverno

Falésias imaginárias,
Pedestais de ícones conhecidos,
Traçados em vapores coloridos,
Alongam o olhar do extasiado solitário,
Sobre o mar imenso e grávido de vidas.
Veleiros lentos balançam sonhos pálidos,
Despertam repentinas angústias indefinidas,
Na busca certa de serenas enseadas incertas.
Passaram séculos, séculos, mais séculos iguais;
As escarpas altas, com suas cavernas abertas,
Continuaram protegendo os solitários hibernais
Leitores escrupulosos dos roteiros estelares,
Salvadores de aventureiros de todos os mares.
Gigantes furiosos exibiram chifres pontiagudos,
Invadiram vilarejos drapejando as barbas salgadas,
Incendiaram sáfaras terras sem frutos polpudos,
Devassaram, nus, as penumbrosas alcovas sagradas.
Falésias, dançarinos vaporosos, mar e lentos veleiros,
Vikings barbudos, chifrudos, desapareceram céleres,
No instante em que a vigília negou luz aos letreiros
E todos os homens viram ao lado suas doces mulheres…

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