O artista plástico e poeta Rodrigo de Haro, de 82 anos, morreu nesta quinta-feira (1º) em casa em Florianópolis. Ele enfrentava problemas cardíacos e renais. Perde-se um grande e insubstituível artista; fica seu magnífico legado. : inteligência, sabedoria, criatividade, paciência, memória e erudição.
Rodrigo de Haro: Poeta, intelectual, pensador, mosaicista e artista multifacetado brasileiro. Filho do grande pintor clássico Martinho de Haro. Rodrigo nasceu em Paris e veio em 1939 para o Brasil.
É membro da Academia Catarinense de Letras e, entre muitas obras plásticas que brotam de sua criatividade, um de seus trabalhos mais vistosos orna as paredes e a entrada da reitoria da Universidade Federal de Santa Catarina. Suas obras podem ser vistas na Igreja de Santa Catarina de Alexandria, em homenagem a Santa Catarina de Alexandria, padroeira de Florianópolis, e também em mural na escola municipal Doutor Paulo Fontes na comunidade de Santo Antônio de Lisboa, em Florianópolis.
Na poesia tem sua obra associada ao surrealismo e ao conjunto de poetas que surgiu no início da década de 1960 em São Paulo, do qual podemos citar Roberto Piva, Claudio Willer, Carlos Felipe Moisés e Antonio Fernando de Franceschi dentre outros.
Em poesia, atua, desde 1960, como organizador do movimento surrealista e tem seus poemas publicados em livros no Brasil e em antologias na Espanha e Estados Unidos. Por volta de 1987, trabalha na decoração do Teatro Municipal de Florianópolis com 80 painéis Mandalas.
Críticas
“O artista catarinense Rodrigo de Haro mostra seu mergulho em direção a uma escrita escondida no inconsciente dos homens. Para isso, utiliza-se de vistosas formas art nouveau e de figuras orientais. Uma aproximação que não é estranha à arte ocidental.(…) Rodrigo de Haro é artista de uma linha que se convencionou chamar de fantástica, de escrita quase automática, plena de fantasia e intenções. A vantagem que o dadaísmo e o surrealismo nos legaram foi a possibilidade de tornar o inconsciente, com sua simbologia, acessível ao trabalho artístico, mediante o uso de uma técnica chamada de automatismo. Como se o artista abrisse as comportas do seu mundo oculto e, sem nenhuma censura, cristalizasse esse mundo em forma e cor. Rodrigo de Haro é quase fiel a esses primórdios do surrealismo. Artista contemporâneo, ele trabalha sua pintura com elementos diversificados. Procura que ela seja abrangente, utilizando simultaneamente técnicas de cartaz, surreais e uma anedótica ilustração oriental. (…)”.
Jacob Klintowitz
KLINTOWITZ, Jacob. Versus: 10 anos de crítica de arte. Jacob Klintowitz. Pietro Maria Bardi. São Paulo, Espade, 1978.
Exposições Individuais
1958 – Florianópolis SC – Primeira individual, na Faculdade de Direito de Florianópolis
1967 – Florianópolis SC – Individual, no MAM/Florianópolis
1970 – Florianópolis SC – Individual, no MAM/Florianópolis
1975 – São Paulo SP – Individual, na Galeria Seta
1977 – São Paulo SP – Individual, na Galeria Seta
1986 – Florianópolis SC – Individual, na Galeria Studio de Artes
1991 – Joinville SC – Individual, no Museu de Arte de Joinville
1991 – Joinville SC – Individual, no Espaço Cultural Badesc
1993 – Joinville SC – Individual, no Museu de Arte de Joinville
Exposições Coletivas
1953 – Florianópolis SC – Primeira coletiva
1955 – Santa Catarina – Coletiva Artistas Catarinenses – prêmio aquisição
1967 – Paraná – Salão Nacional do Paraná
1972 – Curitiba PR – 29º Salão Paranaense, no Teatro Guaíra
1972 – São Paulo SP – Coletiva Arte Fantástica, no Paço das Artes
1979 – São Paulo SP – 11º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1980 – Curitiba PR – 2ª Mostra do Desenho Brasileiro, no Teatro Guaíra
1983 – São Paulo SP – 14º Panorama de Arte Atual Brasileira, no MAM/SP
1984 – São Paulo SP – Tradição e Ruptura: síntese de arte e cultura brasileiras, na Fundação Bienal
1985 – São Paulo SP – Coletiva, no Studio José de Aguiar e Ricardo Camargo
1985 – São Paulo SP – Destaques da Arte Contemporânea Brasileira, no MAM/SP
1994 – Curitiba PR – 10ª Mostra do Desenho Brasileiro, no MAC/PR
1996 – Florianópolis SC – Rodrigo de Haro, Idésio Leal, Arturo Terrizzano, no Espaço Cultural Fernando Beck
1999 – Porto Alegre RS – 2ª Bienal de Artes Visuais do Mercosul, no Margs, no Espaço Usina Gasômetro e Espaço Armazém do Cais do Porto
Instituições, políticos e pessoas ligadas à cultura lamentaram a morte do artista. A cerimônia de despedida acontecerá na Capital e será reservada à família e amigos próximos.
Rodrigo de Haro nasceu na França em 6 de maio de 1939, mas viveu a maior parte de sua vida em Florianópolis. Ele se destacou como desenhista, pintor, poeta, contista e muralista.

Ele também foi também professor de pintura nas Oficinas de Arte do Museu de Arte de Santa Catarina (Masc). Em 2001 foi eleito membro da Academia Catarinense de Letras, ocupando a cadeira de número 25.
Em 2019 o Masc abriu uma exposição homenageado os 80 anos do artista, com 100 obras dele.

A Secretária de Cultura e Arte da Universidade Federal de Santa Catarina (UFSC), onde Haro se graduou em Arquitetura e Urbanismo, lamentou a morte do artista.
“É uma perda inestimável para a arte e cultura catarinenses. Um artista de sensibilidade e criatividade ímpar, que no momento estava finalizando um dos maiores murais da América Latina, em torno da Reitoria. Além de um grande artista, um ser humano maravilhoso, doce e amigo. Deixará um vazio imenso nos nossos corações”, disse a secretária de Cultura e Arte da UFSC, Maria de Lourdes Alves Borges.
A Fundação Catarinense de Cultura (FCC) e o Museu de Arte de Santa Catarina comunicaram a morte do artista e lamentaram sua partida. Nas redes sociais, personalidades políticas catarinenses e admiradores de sua obra expressaram pesar.
“Perde-se um patrimônio de erudição, um ser humano inigualável, um artista de grandeza que agigantou a arte e a literatura de Santa Catarina”, publicou uma artista.
Em São Joaquim a Arte de Rodrigo de Haro imortalizada em mosaicos da Villa Francioni.

Um profundo pesar pela perda catarinense de uma de suas maiores expressões artísticas e culturais.
Com informações Itaú Cultural e G1


