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Início » Destaque » Escritora Lya Luft morre aos 83 anos em Porto Alegre

Destaque

Escritora Lya Luft morre aos 83 anos em Porto Alegre

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Última atualização: 30 de dezembro de 2021 17:57
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4 min de leitura
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Foto: Katherine Coutinho / G1

A escritora Lya Luft faleceu na madrugada desta quinta-feira (30) em Porto Alegre, segundo sua filha, Suzana Luft. Natural de Santa Cruz do Sul, ela tinha 83 anos. Lya faleceu em casa.

Segundo Suzana, Lya lutava há 7 meses contra um melanoma, câncer descoberto já com metástase. Ficou internada, mas pediu para ir para casa antes do Natal. Ainda de acordo com a filha, Lya morreu enquanto dormia.

A cerimônia de despedida deve ser restrita à família.

O governador do RS, Eduardo Leite, manifestou pesar pelo falecimento. “O RS perde um dos seus maiores nomes da literatura. Lya Luft nos deixa aos 83 anos e abre uma lacuna difícil de ser preenchida. Que Deus conforte a família e os amigos”, postou.

A Academia Riograndense de Letras também se manifestou. “Comunico falecimento da Lya Luft, nossa escritora do ano, nesta madrugada. Nossa homenagem chegou em tempo e trouxe alegria aos seus últimos dias”, informou o presidente da entidade, Rafael Bán Jacobsen.

A pessoa

Filha de descendentes alemães, foi incentivada pelos pais a desenvolver o hábito da leitura ainda na infância. Depois de cursar o então Ensino Primário e o Científico, ela passou um ano em Porto Alegre, em 1955, fazendo a Escola Normal no Colégio Americano.

Ela retornou para Santa Cruz do Sul para concluir a Escola Normal. Voltou à Capital para cursar faculdade em 1959. Na Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul (PUCRS), Lya concluiu o curso de Letras Anglo-germânicas em 1963.

Ela fez dois mestrados: um em Linguística, também na PUCRS, em 1975, e outro em Literatura Brasileira, na Universidade Federal do Rio Grande do Sul (UFRGS), em 1978. Entre 1969 e 1982, atuou como professora de Linguística na Faculdade Porto-Alegrense (FAPA). Deixou de dar aulas devido à carreira de escritora.

Com Celso Pedro Luft, teve três filhos: Suzana, em 1965; André, em 1966; e Eduardo, em 1969. O casamento de Lya com Celso durou até 1985.

Em 2019, sofreu um infarto agudo do miocárdio e chegou a ficar internada para um procedimento cardiológico, em Porto Alegre. Dois anos antes, perdeu o filho, André, que sofreu uma parada cardiorrespiratória enquanto surfava, em Florianópolis.

Até o fim de sua vida, foi companheira de Vicente de Britto Pereira, seu terceiro marido.

Lya começou a trabalhar com o mundo literário no começo dos anos 1960, como tradutora de obras em alemão e inglês.

Entre 1964 e 1978, publicou três livros. No entanto, só passou a se considerar “escritora” a partir de 1980, quando, com mais de 40 anos, escreveu o seu primeiro romance, “As Parceiras”, que teve repercussão nacional.

Entre obras que chamaram a atenção nacionalmente, estão: “Exílio” (1987), “O Lado Fatal” (1989), “A Sentinela” (1994) e “O Rio do Meio” (1996). Esse último título recebeu o Prêmio da Associação Paulista de Críticos de Arte por obra de ficção. Também em 1996, foi eleita patrona da Feira do Livro de Porto Alegre. Em 2001, recebeu o Prêmio União Latina de Melhor Tradução Técnica e Científica, pela obra “Lete: Arte e Crítica do Esquecimento”, de Harald Weinrich.

Lya Luft se tornou mais conhecida após o lançamento de “Perdas & Ganhos”, em 2003. Considerada um best-seller, a obra chegou em sua 40ª edição, com mais de 600 mil exemplares vendidos, de acordo com a Editora Record. O título ganhou edições em inglês, alemão, espanhol, francês e italiano.

Em 2013, recebeu o Prêmio Machado de Assis, da Academia Brasileira de Letras, pelo livro “O Tigre na Sombra (2012)”, eleita a melhor obra de ficção do ano na categoria romance.

Fonte: G1

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