As Perspectivas Econômicas para o Irã

A economia iraniana vem enfrentando obstáculos significativos, sendo as sanções internacionais, a crise política e a queda no preço do petróleo os principais.

Um dólar já vale mais de 600.000 riais, a moeda local, nas ruas de Teerã.

Como mencionado, o principal ponto negativo é o impacto causado pelas sanções internacionais, que visam convencer o Irã a encerrar seu programa nuclear. Além da suposta ambição nuclear, o país é criticado pela violação de direitos humanos e apoio ao terrorismo.

Obviamente, a queda na cotação do barril de petróleo tem consequências econômicas devastadoras. O Irã é o nono maior produtor de petróleo do mundo. Os Estados Unidos ocupam isoladamente a primeira posição.

Também vale citar as formidáveis reservas iranianas de gás natural e minério.

As sanções prejudicam o comércio exterior do Irã, assim como a entrada de moeda forte. No ano de 2015, a crise foi aliviada pela suspensão das sanções, apesar de seu retorno poucos anos depois. No geral, elas diminuem a arrecadação do Estado e restringem o acesso a bens e serviços importados. Faltam até mesmo remédios e equipamentos médicos.

O embargo proíbe o país de exportar petróleo e cerceia os setores bancário e de construção naval, dentre outros. Empresas estrangeiras que negociam com o Irã também correm o risco de punições.

Contudo, uma maior relação comercial com a China e a Rússia, além da Turquia, vêm atenuando a crise. A cada dia, o Irã aprofunda seus laços com a China, diplomática e economicamente. No último mês de março, a China – o maior parceiro comercial do Irã – intermediou um acordo diplomático entre Irã e Arábia Saudita. Além disso, acredita-se que a China importe petróleo iraniano em detrimento das sanções.

A mencionada desvalorização do rial, em conjunto com a inflação, que em janeiro chegou a 53,4%, constituem um grande desafio.

Desvalorização cambial e inflação são dois conceitos econômicos próximos. A depreciação cambial resulta da queda da moeda de um país em comparação às divisas de outros países. Já a inflação é a elevação dos preços de bens e serviços.

O efeito entre desvalorização e inflação costuma ser recíproco, em que um alimenta o outro. Depreciação causa inflação porque torna os bens importados mais caros.

Da mesma forma, a inflação pode levar a uma desvalorização. Inflação alta afasta investidores estrangeiros, levando a um menor interesse pela moeda local, que se deprecia. A inflação diminui o poder de compra da população e dificulta o planejamento das empresas.

Apesar dos efeitos negativos, uma desvalorização cambial é capaz de tornar as exportações do país mais baratas e, por conseguinte, mais competitivas. No Brasil, o setor exportador é beneficiado quando o real se desvaloriza.

A crise política no Irã impõe outra barreira à atração de investimento externo. Há mais de cinco anos, mulheres iranianas protestam contra a obrigação de usar véu, e o governo reage com brutalidade.

Além dos Estados Unidos, a União Europeia demonstra preocupação com o programa nuclear e a violência iraniana contra os protestos pacíficos.

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