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Pedofilia: A História de Terezinha

Meu nome verdadeiro não é Terezinha, mas a história cruel que vou te contar é real e acontece todos os dias com crianças perto de você. Se você conhece algum caso, denuncie! Ajude a preservar a inocência de nossas crianças.

 

Essa história pertence a uma série de reportagens sobre Pedofilia. Traremos histórias reais de pessoas que sofreram abusos durante a infância e adolescência.
Um dos mais temidos crimes contra a infância, a pedofilia pode ser evitada prestando atenção aos sinais de comportamento das crianças.
Pedimos que tenham respeito as histórias contadas, reflitam e observem suas crianças. Ao sinal de mudança de comportamento, procure ajuda. Em casos de suspeita de abusos, denuncie!
Mais informações sobre Pedofilia você encontra na primeira matéria da Série:
Pedofilia: É preciso entender sobre o assunto e denunciar
Atenção: Nomes e informações pessoais serão modificados para preservar a identidade das vítimas.

 

Eu me chamo Terezinha, nasci em uma cidade do interior, ainda bebê fui adotada e logo a família mudou-se para a capital. Foi uma alegria minha chegada! Fui desejada e amada pela minha mãe que conta que os anjos disseram amém ao desejo dela, mas, com algumas mudanças na vida, ela precisou sair para trabalhar e me confiava a algumas pessoas enquanto estava fora. Eu estava sempre cuidada, perfumada, com cabelos cheios de cachinhos e usava vestidos lindos, alguns até costurados pela minha mãe. Fui muito amada, bajulada, mimada, querida e protegida pelo meu pai. Sinto muitas saudades desse tempo, ele faleceu quando eu ainda tinha cinco anos.

Tornei-me a caçula de cinco irmãos, a maioria vinte anos mais velho e alguns até casados. Entre eles estava o Jonas, meu guardião na ausência da minha mãe, somos muito unidos até hoje.

Eu era uma criança, feliz, simpática, falava o tempo todo, cantava, dançava, ria, fazia bagunça, brincava com meu gato de estimação.

O início dos abusos

Certa manhã minha mãe me vestiu como de costume para passear com meu irmão Genivaldo, que era noivo de Clarice, eu tinha 4 anos de idade e dentro do carro ele me colocou deitada no banco e acariciava minhas partes íntimas, eu não entendia o que era aquilo e não houve penetração. Clarice quis casar-se virgem e não permitia que ele avançasse. Isso não justifica o mal que ele me fez, o difícil é saber do que ele foi capaz de fazer enquanto ninguém olhava e fingir que isso nunca aconteceu.

O segundo abuso

Aos cinco anos minha mãe precisou sair e não tinha com quem me deixar. Havia somente uma vizinha na casa da frente, a adolescente Janice, ela aceitou ficar comigo enquanto minha mãe se ausentava. Então ela aproveitou a oportunidade para preparar um doce feito com açúcar queimado que formava cristais, ela me deu um pedaço desse doce em troca de sexo oral nela. Eu não tinha a menor noção do que estava fazendo. Minha infância nunca mais foi a mesma! Passei a ser uma criança agressiva, irritada, ansiosa e, às vezes, me isolava.

O terceiro abuso

Aos 8 anos de idade estava de férias escolares, viajei para casa de meus avós maternos. Após o banho, já estava terminando de me vestir e meu avô, pai da minha mãe, me agarrou e tentou me colocar no colo dele, eu corri e consegui escapar.

O quarto abuso

Quando eu tinha 14 anos, Getúlio, um jovem amigo da família, veio morar de favor em nossa casa. Triste noite, quando eu já estava dormindo no meu quarto que não tinha porta, ele entrou no meu quarto e pediu silêncio, eu paralisei, ele tirou minha roupa, consumou o estupro e me deu ordem para ir me limpar. Minha mãe dormia no quarto ao lado. Enquanto fui ao banheiro não conseguia parar de chorar, aquilo me deixou em choque. Demorei a entender que aquilo não era minha culpa. Por muito tempo me sentia suja, indigna, com raiva, me maltratava e não me perdoava por achar que aquilo tinha acontecido por minha culpa.

Era mais um caso em que o medo, a culpa, o sofrimento, a vergonha, o desespero e a intimidação não me permitiam compartilhar com ninguém. Passei tudo sozinha.

O quinto abuso

Aos 18 anos. Estava dormindo no chão da sala na casa do Getúlio, ele esperou a esposa dele dormir e veio em cima de mim, disse que queria um beijo. Eu reagi. Respondi “Não! Se você não sair agora daqui eu vou gritar”. Ele se afastou na hora e nunca mais me incomodou.

Alguns diziam que, por não ter o sangue da família, eu seria um problema para a minha mãe quando crescesse. Foi em meio a alguns doentes que eu sobrevivi.

O sexto abuso

Aos 36 anos passei por uma situação indireta que envolvia um pedófilo. Após 18 anos houve o reencontro entre mim e meu ex-namorado Júlio, decidimos reatar e morar juntos na minha casa. Cinco meses se passaram e tudo ia bem, nos entendíamos e nos respeitávamos. Em certo sábado houve um evento aberto para as crianças da comunidade na creche em que era contratado pela prefeitura e ele precisava trabalhar até meio-dia. Eu também saí para trabalhar e combinamos de almoçar juntos às 13h. Preocupei-me com o atraso, até que meu telefone tocou. Era ele dizendo que a polícia o havia levado para a delegacia próxima a creche. Fui até lá saber o que havia ocorrido. Meu chão caiu, não sei de onde tive forças para seguir. Em algum momento, perto do final do evento, um garoto de aproximadamente 8 anos relatou a seus familiares que o Júlio ofereceu pipoca pra ele, o garoto entrou com ele em uma sala de aula para pegar e foi quando Júlio lhe mostrou um filme pornográfico e se masturbado na frente dele. A polícia não demorou para chegar e fazer a diligência no local. Pediram que Júlio tirasse a roupa e nas peças íntimas foi encontrado sêmen, o que comprovava o ato da masturbação. Júlio foi detido em flagrante. Na delegacia eu vi o garoto e a mãe. Tentei imaginar o que estaria passando na cabeça daquele pequeno garoto. Eu só sabia orar por todos os envolvidos. Até que fui falar com o Júlio. Ele me disse que não colocou a mão no garoto, que não tinha feito nada… Júlio ficou preso por cinco meses até o julgamento em que foi absolvido, pois o exame de corpo de delito, realizado no garoto, deu negativo. Passagem triste da qual eu não gosto nem de lembrar. Eu terminei essa relação e segui meu caminho, pois com meu histórico eu nunca seria feliz nesta relação. Foi a melhor coisa que fiz.

O recomeço

Faço terapia desde 2003, o que foi um divisor de águas na minha vida. Aprendi a reconhecer minha força interior e discernir entre o que eu sou e o que fizeram comigo. O que eu farei de mim é minha inteira responsabilidade. Hoje vivo bem melhor, me amo, fiz curso superior, aprendi a dirigir, não tenho vícios, sou casada e meu marido sabe de toda a minha história.

Quando fiz quarenta anos estive reunida com toda a família para comemorar e entre eles, estavam Getúlio e Genivaldo o primeiro e o último dos meus abusadores. Eu estou bem, mais bonita, mais tranquila, mas eles estão acabados fisicamente. Embora fosse um dia tão importante pra mim, não consegui ficar por muito tempo e fui embora da minha própria festa de aniversário.

Hoje estou com 45 anos e tenho o coração tranquilo porque sei que tudo acabou. Eu durmo em paz, trabalho e tento não pensar no passado. Eles foram meus reais “bicho papão”.

Eu não frequento mais a casa de familiares, para não recordar minha festa de 40 anos e lugares que me fazem mal.

Decidi que devo ser feliz, pois eu sou abençoada e a vida está sendo generosa comigo. Tenho recursos para me cuidar. Saber que todas essas barbáries poderão ajudar a livrar do mal os pequeninos já me alenta o coração. Tudo isso me fortaleceu, é contraditório, mas é real! Ninguém merece ou precisa passar pelo que eu passei para dar valor a vida. Eu segui em frente, um dia de cada vez…

O que posso dizer é que eu já tenho meu final feliz!!!

 

Essa é uma matéria editada por Beatriz Rosa Chiodeli, do São Joaquim Online, em uma parceria com o CREAS, Dra. Dayana Kisner Grings (Advogada), Karine Rodrigues (Acadêmica de Investigação e Perícia Criminal), Dra. Regiane Viana da Silva (advogada), Elisângela da Rosa (pesquisadora) e Sallime Chehade (Pedagoga, Jornalista, Graduanda em Direito e Pós-graduanda em Psicologia Infantil, coordena o Movimento Social Diga não à Pedofilia há 7 anos, clique aqui e conheça a FanPage).

 

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