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Pedofilia: Relatos de Joana sobre a História de Lúcia, pedófila, estupradora e assassina

Meu nome verdadeiro não é Joana, mas a história cruel que vou te contar é real e acontece todos os dias com crianças perto de você. Se você conhece algum caso, denuncie! Ajude a preservar a inocência de nossas crianças.

Essa história pertence a uma série de reportagens sobre Pedofilia. Traremos histórias reais de pessoas que sofreram abusos durante a infância e adolescência.
Um dos mais temidos crimes contra a infância, a pedofilia pode ser evitada prestando atenção aos sinais de comportamento das crianças.
Pedimos que tenham respeito as histórias contadas, reflitam e observem suas crianças. Ao sinal de mudança de comportamento, procure ajuda. Em casos de suspeita de abusos, denuncie!
Mais informações sobre Pedofilia você encontra na primeira matéria da Série:
Pedofilia: É preciso entender sobre o assunto e denunciar
Atenção: Nomes e informações pessoais serão modificados para preservar a identidade das vítimas.

Por motivos que fogem ao assunto proposto nesta matéria, estive por um tempo em uma unidade prisional, conheci histórias e mulheres que nunca imaginei conhecer. Eram assassinas, traficantes, assaltantes, pedófilas. Sim! Mulheres pedófilas! Eu nem sabia que isso existia. E aqui vai a pior e mais triste história de pedofilia que eu já ouvi!

Em uma manhã de sol recebemos algumas obreiras de uma Igreja, fomos para o pátio e fizemos nossas orações, elas vinham uma vez por semana e sempre que saíam, continuávamos inebriadas pelo amor e a paz de Deus.

E foi nesse dia que eu a vi. Ela era linda. Estava sozinha em um canto do pátio e cantarolava louvores. Todas paravam para escutar, mas ninguém se aproximava. Notei que um agente estava sempre ao lado dela, com um fuzil nas mãos.

Procurei a Mara, líder da minha cela, o motivo de tanta segurança a uma detenta.

Então Mara me respondeu

  • Ela está na área de seguro porque o B.O (Boletim de Ocorrência) dela é um dos mais graves, então não podemos nos aproximar.

Eu pedi que ela me explicasse melhor o que estava acontecendo e ela me falou:

  • A Lúcia e pedófila, estupradora e assassina.

  • Como assim? Desde quando uma mulher consegue estuprar alguém?

  • Vem comigo, vou te levar até ela.

Aproximamo-nos do agente que estava com Lúcia, Mara pediu autorização para conversarmos, o agente nos levou até uma cela, pediu que Lúcia entrasse e ficamos ao lado de fora por quase 1hora ouvindo a sua história.

Mara pediu que ela me contasse tudo, sem mentiras, porque eu era nova ali e que não tivesse medo porque eu não era uma vingadora.

Então, Lúcia contou a sua história…

Eu era esposa de um pastor, residia na capital e durante um longo período fui obreira e tive como missão as miniaulas religiosas Infantis. Todos os domingos levava nossa filha Carla, ela adorava e fez muitas amizades. Entre elas, estava uma garotinha chamada Júlia, ambas tinham 8 anos na época e eram inseparáveis.

Em certo domingo, ao término das miniaulas, falei que Carla convidasse Júlia para dormir em nossa casa, pedimos permissão aos seus pais que aceitaram prontamente. Carla estava muito feliz por poder passar mais tempo com sua amiga. As meninas jantaram animadas e brincaram até tarde.

Durante a madrugada, eu e meu marido João, fomos até o quarto em que as meninas dormiam, pegamos Júlia no colo e sem que a mesma despertasse, levamos para o nosso quarto, acomodamos em nossa cama e suavemente a acordamos dizendo que iriamos mostrar como era lindo o amor de Deus e como os bebês eram feitos, mas que era segredo e ela não poderia contar nem mesmo para a Carla. Júlia estava assustada por acordar no quarto do casal e não entendeu o que estava acontecendo, apenas concordou balançando a cabeça.

Começamos a fazer amor na frente da menina e, em meio ao sexo, pedimos que ela tirasse o pijama e ficasse nua para que pudéssemos mostrar o quanto Deus estava feliz e o quanto ela era privilegiada por ser escolhida para conhecer o milagre da vida.

Júlia fez o que pedimos, mas sentiu-se envergonhada e cobriu-se com uma coberta. João disse: “Não é assim bebê, deite na cama que você vai gostar.” Começamos a acariciar o corpinho frágil e tímido de Júlia, ele fez sexo oral nela para conseguir penetrar sem que ela gritasse. Coloquei meu dedo para romper o hímen e Júlia começou a chorar de dor. Tapei sua boca e falei para meu marido consumar o ato. Não contente, ordenei que ela fizesse sexo oral em mim.

Júlia chorava muito e isso começou a me irritar. Pedi que parasse, mas não adiantou, então bati no rosto dela e foi pior! A menina começou a gritar. Tentando acalmá-la, João a levou para o banheiro e colocou embaixo do chuveiro. Recomeçamos os abusos até que Carla ouviu os gritos da amiga e correu para ver o que estava acontecendo. Quando se deparou com aquela cena, sem entender porque a amiga chorava e sangrava, pediu socorro pela janela e um vizinho correu para ajudar. Foi a maior confusão! Começaram a chegar vizinhos, chamaram a polícia e nós fugimos, deixando as meninas na casa. Não conseguimos ir muito longe, pois logo a polícia nos alcançou e fomos presos em flagrante.

Júlia foi levada para o Hospital, recebeu os primeiros socorros, mas faleceu por mutilação interna nos órgãos.

Tudo isso aconteceu há 4 anos, desde então estamos presos e nossa filha está em um abrigo.

Ouvir essa história mexeu muito comigo! É impossível que alguém consiga fazer tanto mal a uma criança e não sentir arrependimento.

Porém Lúcia não teve uma vida tranquila no presídio. Quando ela chegou ao presídio, foi estuprada por 14 detentos, contraindo HIV. Os estupros continuaram ocorrendo de acordo “com a necessidade dos detentos”. Todos esses estupros resultaram em tuberculose e inúmeras DST’s (doenças sexualmente transmissíveis). Lúcia começou a enfraquecer, emagrecer e ter febres frequentes que não baixavam por nada. Ninguém se importava. Ninguém se preocupa com pedófilos e estupradores. Eles são a escória das cadeias. São estuprados, humilhados e agredidos de inúmeras maneiras. Para eles, a cadeia é um verdadeiro inferno!

Uma enfermeira, que havia acabado de ser condenada e começaria sua pena no mesmo presídio, conheceu Lúcia naquele estado lastimável, muito fraca e debilitada, solicitou que sua advogada pedisse socorro e tomasse providências urgentes para que Lúcia não morresse a míngua.

Não houve tempo. Naquela mesma noite ouvimos os gritos de outra detenta que também estava na cela de seguro. Ela implorava por socorro porque a Lúcia estava se debatendo, babando e revirando os olhos. Retiraram a Lúcia da cela e, uns 5 minutos depois, veio a notícia que ela havia falecido.

Poucos dias após a morte de Lúcia, eu terminei a minha pena e sai livre e sem dívidas com a sociedade. O tempo que passei no presídio me fez aprender muito sobre quem sou e o que quero para minha vida, mas principalmente, ter certeza de que aquele lugar e as atitudes que me levaram para lá, não me pertenciam. Conheci muitas pessoas, conheci muitas histórias, aprendi muito! Cresci como pessoa, cresci como ser humano e hoje, procuro ajudar as pessoas que me cercam. Todos nós cometemos erros, mas precisamos aprender com eles e evoluir. Estou reconstruindo a minha vida e lutando por um final feliz.

Essa é uma matéria editada por Beatriz Rosa Chiodeli, do São Joaquim Online, em uma parceria com o CREAS, Dra. Dayana Kisner Grings (Advogada), Karine Rodrigues (Acadêmica de Investigação e Perícia Criminal), Dra. Regiane Viana da Silva (advogada), Elisângela da Rosa (pesquisadora) e Sallime Chehade (Pedagoga, Jornalista, Graduanda em Direito e Pós-graduanda em Psicologia Infantil, coordena o Movimento Social Diga não à Pedofilia há 7 anos, clique aqui e conheça a FanPage).

 

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