Pesquisadores Brasileiros desenvolvem exame de sangue que permite diagnosticar esquizofrenia e bipolaridade

Imagem: kukhunthod/IStock

Metodologia desenvolvida por pesquisadores brasileiros permite diagnosticar, com base em um único exame de sangue, duas doenças psiquiátricas com sintomas semelhantes: a esquizofrenia e o transtorno bipolar. Atualmente, o diagnóstico desses distúrbios é baseado na análise clínica. No entanto, o processo pode levar anos e tem um alto grau de subjetividade, pois depende do olhar do psiquiatra e também da capacidade do paciente em relatar sintomas.

O exame laboratorial, desenvolvido por pesquisadores da Unifesp (Universidade Federal de São Paulo) e da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas), é o primeiro capaz de diferenciar esses dois transtornos por meio da análise de alterações bioquímicas e moleculares envolvidas nas patologias. A inovação, já patenteada, foi descrita no Journal of Psychiatric Research. “É complicado diferenciar duas enfermidades que compartilham sintomas tão parecidos por meio de exames clínicos. Com o exame laboratorial é possível identificar padrões no soro sanguíneo e, assim, diferenciar casos de esquizofrenia e bipolaridade de modo preciso, o que melhora o prognóstico dos pacientes”, diz Mirian.

Os pesquisadores afirmam que o grande diferencial do método está em analisar o padrão de metabólitos presente no sangue – conjunto de substâncias químicas resultantes de reações do metabolismo – e não um biomarcador específico como proteínas, genes ou outras moléculas. Estima-se que existam mais de 2 milhões de metabólitos no soro sanguíneo. Em estudos anteriores, o grupo já havia diferenciado pacientes com esquizofrenia de pessoas saudáveis, assim como bipolares de pessoas saudáveis. Os pesquisadores também analisaram usuários de crack, pelo fato de a droga mimetizar o primeiro episódio psicótico de pacientes com esquizofrenia. “Se o indivíduo não relata que é usuário de crack.

Por meio de técnicas de bioinformática e inteligência artificial, a equipe formada por pesquisadores brasileiros e japoneses pretende identificar as vias envolvidas nessas enfermidades. “Embora os motivos de fundo genéticos que levam o indivíduo a ser esquizofrênico ou bipolar sejam reconhecidos, trata-se de genes comuns a vários transtornos mentais. Ao identificar essas vias metabólicas exclusivas para cada doença, será possível, no futuro, melhorar o tratamento”, diz.

Mas os pesquisadores reconhecem também que muitos estudos e trabalhos ainda são necessários para que possam efetivamente empregar isto na clínica e realmente ajudar esses pacientes.

Fonte uol /vivabem

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