SC recorre a rede privada e avalia compra de diárias para leitos de UTI Covid-19

O colapso que se aproxima do sistema de saúde, em meio à pandemia do novo coronavírus, motivou o governo de Santa Catarina a buscar por leitos nas Unidades de Terapia Intensiva (UTI) da rede particular. A Secretaria de Estado de Saúde (SES) enviou ofícios no início da tarde desta quinta-feira (25) a pelo menos quatro unidades de saúde pedindo orçamentos para a compra de diárias de leitos para pacientes com a Covid-19.

O estado soma 652,8 mil casos confirmados de coronavírus e 7,1 mil desses infectados morreram. Um decreto que começou a vigorar nesta quinta impõe novas restrições. Ao menos 83 pacientes aguardavam por leitos de UTI, segundo dados internos da SES que o G1 teve acesso. No entanto a SES, informou que as vagas são dinâmicas e que no momento são 30 leitos conforme consta no painel estadual.

Na terça-feira (23), o governo estadual encaminhou pedido de apoio ao Ministério da Saúde por causa da possibilidade de faltar remédios de “kit intubação”. Os estoques são insuficientes em muitos hospitais.

Ofícios para rede privada

O ofício com a intenção de compra, assinado pelo secretário André Motta, foi enviado para os hospitais Baía Sul e Casa de Saúde São Sebastião, em Florianópolis, e também para os planos de saúde com abrangência estadual da Unimed e SC Saúde.

No texto enviado aos presidentes e diretores das unidades, o secretário de Saúde afirma que “a gravíssima situação em que se encontra o Estado de Santa Catarina”, que “elevou consideravelmente a taxa de ocupação de leitos de UTI dos hospitais da rede pública” motivou a busca de “alternativas” na rede privada.

O pedido do Estado é por orçamentos com o valor médio diário de um leito de UTI para pacientes com Covid-19. Segundo o documento, os valores vão compor um banco de preços e auxiliar futuras aquisições.

Os quatro ofícios foram enviados por e-mail por volta das 14h desta quinta. Até as 16h apenas um dos comunicados havia sido respondido, por parte da Casa de Saúde São Sebastião, na Capital. A unidade diz ao Estado que possui apenas três leitos ativos de UTI que servem de “retaguarda” para o centro cirúrgico, sem estrutura para pacientes com Covid-19. Portanto, a unidade diz que não possui interesse em vender leitos ao governo.

Um dos principais hospitais privados da Grande Florianópolis, o Baía Sul ainda não respondeu ao ofício, no entanto uma mensagem pública do presidente do hospital nesta quinta à tarde sinaliza um cenário de lotação. O texto diz que o Baía Sul precisou adotar protocolos de contingência extremos, e que apesar de todos os esforços a demanda continua crescendo.

Diante desse cenário, diz a nota do médico Sérgio Marcondes Brincas, “o Hospital Baía Sul alerta que os próximos dias serão de extremo risco e a probabilidade de desassistência é real e iminente”.

Além dos 83 pacientes apontados nos dados internos da SES, pode haver mais pessoas aguardando pois somente são enviados pedidos de internação de pacientes com condição de transporte para longas distâncias no caso das transferências.

Doentes que estão internados em Unidades de Pronto Atendimento (UPAs) não entram na fila, por exemplo, visto que precisam passar por um hospital para estabilização antes de entrarem na contabilização estadual.

Ministério Público de Santa Catarina (MPSC) pediu que a SES informe quantas pessoas esperam por uma UTI e de quais cidades elas são.

Fonte G1

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