A velhice – Por Henrique Córdova

Marco Túlio Cícero, nascido em 106 a.C., em Arpinum , perto de Roma, e assassinado em Fórmias, em 44 a.C, foi o maior orador da antiguidade, além de filósofo e político. Escreveu sobre a velhice, quando velho, para afirmar que a natureza, mãe de tudo e de todos, dispôs a respeito da vida com a sabedoria capaz de dividi-la em fases diversas e todas belas, apesar da morte.

Dualista, Cícero, muito antes dos ensinamentos religiosos cristãos e espíritas, acreditava que a morte do corpo, estrutura fugaz, significava a libertação da alma, eterna. Para ele, então, a velhice era o vestibular da liberdade integral e da eternidade. Se a alma não fosse imortal, nunca se saberia. Para viver melhor a passageira vida corporal, era conveniente crer na imortalidade da alma. Assim mesmo, a vida devia ser vivida em sua plenitude e prolongada ao máximo, longe da volúpia, com virtude e temperança.

Para conservar o corpo, Cícero já recomendava exercícios e dietas naturais. Para ele, a velhice facilitava a abstinência dos prazeres deletérios da carne, como a ausência dos banquetes, em que as mesas tombavam sob o peso dos pratos; onde inumeráveis eram as taças e dos quais se saía embriagado, sujeito à indigestão e à insônia.

Na velhice, recomendava, era preciso, acima de tudo, exercitar a mente para mantê-la em perfeito e fecundo funcionamento.

Quando vejo modernas prescrições dietéticas indispensáveis à sanidade corporal e receitas para a manutenção da vitalidade da mente, nada encontro, fundamentalmente, que tenha escapado à percepção de Cícero, a quem Antônio mandou matar.

A amizade

Ainda Cícero.
Segundo ele a amizade, provinda do amor, deve basear-se, para ser duradoura, na virtude e o critério das decisões, que lhe concernem, deve ser a verdade.
“Com efeito, o amor, de onde provém a palavra amizade, é no primeiro fundamento simpatia recíproca. Quanto aos favores, não é raro que sejam obtidos também de pessoas iludidas por uma aparente amizade e um desvelo de circunstância: ora, na amizade nada é fingido, nada é simulado, tudo é verdadeiro e espontâneo.”

Eternidade

A eternidade está na energia que nos anima e que nos abandona, quando morremos, para reintegrar-se na natureza, movimentar-se pelo cosmos e atingir as mentes, para faze-las lembrarem-se de nós. Com surpresa, vi que este pensamento não é meu . É de Ciro, o Grande, em Xenofonte:

“Os grandes homens, após sua morte, não seriam tão duradouramente lembrados se não emanasse de sua alma algo que conserva a sua lembrança. Jamais pude acreditar que a alma, viva enquanto habitava o corpo, morresse ao deixá-lo.”
É, segundo Cícero, mais ou menos, o que disse Platão.

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