O peregrino – Por Henrique Córdova

Nos solos úmidos, marcas de passadas céleres e sem destino
Denunciam as angústias dos que procuram sempre encontrar,
Em bosques esquecidos de luminares ancestrais, o velocino,
Há muitos séculos apascentado e cultuado em imaginário altar .

Perdida para sempre, a mítica relíquia jamais deixa de inspirar a difusa esperança,
Aos corações sensíveis, que se abandonam às brisas ligeiras dos mares exaladas,
E pulsam ritmados, sem sobressaltos, à aproximação amorável da lembrança,
Que o faz andar, pelas magas constelações do universo, além das nuvens instaladas.

Sem despertar do sonho que o impele, continua pelo caminho sem desenho,
Como se caminhar fosse o império da natureza inquieta e eternamente mutante,
Que promete o que não sabe para o enlouquecido que, ao saber, deu no lenho
E nele pregado, de amor impregnado, perdoou a humanidade num instante.

O perdão veio para gera, por outros e infindos caminhos, causas de novos perdões,
Sempre concedidos, repetidos, até que um novo peregrino, com parábolas divinas,
Percorra, sem cessar, veredas não desvendadas, grafitadas em todos os paredões,
E arraste as multidões, que se apequenam, para os calvários de todas as esquinas…

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