Realidade – Por Henrique Córdova

Com nuvens brancas, cinzas e negras, amareladas e vermelhas, pintei, no céu azul da minha infância as paisagens da vida
Sonhos recorrentes, pesadelos sufocantes, caçadas proibidas, passeios negados, jogos conhecidos e a lágrima incontida;
Estantes cheias de livros de ouro, cadeiras de diamantes e escrivaninhas de ébano para leitores solares;
Mulheres lindas, vestidas de rendas, de sedas finas;
calçadas com sapatos de saltos altos;
pétreos colares…;
Extensos e verdes pomares
esquecidos das flores pelas abelhas amadas,
com lindos e vermelhos frutos pendentes;
Discursos longos, compostos de raciocínios perfeitos, metáforas próprias e belas e às plateias bem convincentes;
Casas encantadoras abrigando filhos e netos, oferecendo boa comida, cômodos confortáveis e camas macias ;
Dinheiro farto, inesgotável e capaz de comprar,
em qualquer lugar do mundo
todas as espécies de raras mercancias .
Nos muitos quadros, que pintei, quase todas as aspirações humanas estavam representadas em magníficas figuras, é verdade;
Mas … , quando os ventos inesperados vieram do sul e as nuvens da palheta foram dissipadas, não houve tempo para pintar a liberdade…

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