Marcas dos pés – Por Henrique Córdova

As marcas abandonadas na areia da praia remota,
Pelos teus distraídos, pequenos e delicados pés,
Nítidas, sequentes, regulares e deveras silentes,
Não denunciam o teu misterioso e secreto destino.

A imaginação escavou o coração e procurou, sôfrega,
A autora, certamente leve, do frio e intrigante legado
Enquanto as marolas murmurantes do oceano imenso
Não as lavassem e, assim, proscrevessem as histórias…

Doem as possibilidades encontradas e escrutinadas,
Como se agudos estilhaços de indefinível melancolia
Ferissem e flagelassem o mundo de almas inquietas.

Quando o sol, em cor de variações áureas,ali sorriu
E as luzes do universo manifestaram-se claramente
A olhos negros, do chão floresceu tua bela epifania

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