Cerejeiras breves – Por Henrique Córdova

Floridas, altas cerejeiras em linha,
Enraizadas à margem do lago sereno,
Entre nuvens brancas, leves e passageiras,
Mergulharam, impávidas, nas águas límpidas.
A suave brisa brincava com os galhos fagueiros,
Que moviam as árvores no mágico espelho imóvel,
Exibindo, em todas as nuanças, o prodígio do reflexo.
O incógnito pintor, que esboçou o indizível quadro,
Com um inesperado, persistente e forte sopro,
Misturou todas as cores, enrugou as águas
E suprimiu, sem qualquer piedade,
De nossos olhos atônitos,
A linda paisagem.

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