O tempo – Por Henrique Córdova

Temos visto sucederem-se anos com comportamentos erráticos das estações. Estas não se enquadram inteiramente na moldura que, supúnhamos, para elas, a natureza tivesse criado com rigidez. Agora mesmo, em plena primavera, estamos curtindo dias de inverno, como nele acabamos de passar momentos de ameno verão.

Escrevi muito sobre essa mistura das sazões, que, dizem, são resultantes de uma mudança climática provocada pela ação predatória do homem na fruição do Planeta. Vejamos o que, há quatrocentos e quatro anos (404) escreveu Shakespeare, em “Sonho de uma noite de verão”:

“Titânia – Em tamanha desordem vemos as sazões trocadas: do seio brando da virente rosa sacode a geada a cândida cabeça, enquanto sobre o queixo e nos cabelos brancos do velho inverno, por escárnio, brotam grinaldas de botões odoros do agradável estio. A primavera, o estio, o outono procriador, o inverno furioso as vestes habituais trocaram, de forma tal que o mundo, de assombrado, para identificá-los não tem meios”.

Sempre foi e será assim, ou estamos apressando e consolidando as mudanças, se é que em algum tempo houve rigidez nos limites das estações?

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.