Boletim Agropecuário de maio destaca exportações de frangos e suínos e risco para produtores de arroz

A pecuária é o destaque do Boletim Agropecuário de maio, com alta das exportações catarinense de frango e queda nas vendas de suínos ao exterior. O aumento de custos de produção de arroz preocupa, já que, associado à redução de preços pagos ao produtor, coloca em risco a atividade em algumas propriedades catarinenses. O milho segunda safra e a soja de plantio tardio deve ter expressiva expansão na área plantada. Leia os detalhes no Boletim Agropecuário, documento elaborado mensalmente pela Epagri/Cepa com a análise econômica das principais cadeias produtivas do agronegócio catarinense.

Frango

Santa Catarina alcançou os melhores resultados em exportações de frango do ano durante abril, tanto em valor quanto em quantidade. Naquele mês o Estado exportou 89,41 mil toneladas de carne de frango (in natura e industrializada), altas de 0,6% em relação ao mês anterior e de 6,3% na comparação com abril de 2021. As receitas foram de US$188,46 milhões, crescimento de 9,1% em relação ao mês anterior e de 35,6% na comparação com abril de 2021. Estes são os melhores resultados do ano,

No primeiro quadrimestre Santa Catarina exportou 336,47 mil toneladas, com receitas de US$660,14 milhões, altas de 8,5% e 30,2%, respectivamente, na comparação com o mesmo período do ano passado. O estado foi responsável por 23,6% das receitas geradas pelas exportações brasileiras de carne de frango nos quatro meses iniciais do ano.

Suínos

Santa Catarina exportou 47,10 mil toneladas de carne suína (in natura, industrializada e miúdos) em abril, quedas de 9,2% em relação ao mês anterior e de 6,1% na comparação com abril de 2021. As receitas foram de US$105,03 milhões, -4,1% em relação ao mês anterior e -15,1% na comparação com abril de 2021.

No primeiro quadrimestre, o estado exportou 182,19 mil toneladas de carne suína, com receitas de US$394,66 milhões, alta de 3,1% em quantidade, mas queda de 8,2% em valor na comparação com o mesmo período de 2021. Santa Catarina respondeu por 56,8% das receitas e por 57,8% do volume de carne suína exportada pelo Brasil neste ano.

Leite

No primeiro trimestre de 2022 a quantidade de leite cru adquirida pelas indústrias inspecionadas do Brasil alcançou apenas 5,884 bilhões de litros, o que representa uma queda de 10,5% em relação aos 6,575 bilhões de litros adquiridos no mesmo período de 2021. Esse péssimo desempenho da produção nacional é o que explica as elevações nos preços internos nos meses recentes, tanto dos preços dos lácteos no mercado atacadista, quanto nos preços recebidos pelos produtores. Neste caso, os levantamentos da Epagri/Cepa mostram que o preço médio saltou de R$1,92/l em fevereiro para R$2,45/l neste mês de maio. Em face da frágil demanda interna, é improvável que em junho haja alguma nova alta expressiva nos preços internos. O cenário, é de que a recuperação da oferta interna, sobretudo a partir de julho, seja acompanhada de reduções nos preços dos lácteos e aos produtores.  

Bovinos

Os preços médios do boi gordo em Santa Catarina apresentaram alta de 1% nas primeiras semanas de maio, em relação ao mês anterior. No restante do país observa-se predominância de quedas, decorrentes do aumento na oferta de animais prontos para o abate e mercado interno desaquecido.  Na comparação com maio de 2021, registra-se alta de 9% na média estadual.

As exportações brasileiras seguem em alta e devem evitar a ocorrência de quedas muito expressivas nos preços ao produtor e ao consumidor nos próximos meses, apesar das pressões de baixa associadas à demanda interna pouco dinâmica.

Arroz

O aumento de custos de produção do arroz causa preocupação quanto à manutenção da atividade em algumas propriedades catarinenses. Os preços fecharam em queda em abril, com expectativa de seguirem em baixa no segundo semestre. A situação se agrava com o aumento dos insumos, que forçam para cima os custos de produção. A colheita da safra 2021/22 está encerada no Estado.

Feijão

Os preços do feijão-preto catarinense caíram 14,29% em abril em comparação com março. Na comparação com abril de 2021, estão 3,84% menores. No caso do feijão-carioca, os valores de abril foram 1,17% inferiores aos de março no Estado.

Em Santa Catarina, 100% da área destinada ao plantio da safra 2021/22 de feijão primeira safra foram colhidos. Os cultivos do feijão segunda safra se encontram predominantemente em fases de floração e maturação. As chuvas persistentes, neste final de abril e início de maio, têm prejudicado o desenvolvimento das plantas, trazendo danos às lavouras em fase adiantada de maturação.

Milho

A segunda safra de milho no estado apresenta estimativa de aumento de 39% da área cultivada, que pode chegar a 32,5 mil hectares. A produção estimada é de 208 mil toneladas, o que seria um recorde para a segunda safra do Estado.

Após registrarem valor médio mensal recorde em fevereiro, cerca de R$100,00/sc, as cotações recuaram 10,3% em abril. O principal fundamento que está orientando os preços no período é a expectativa da boa segunda safra nacional, com maior oferta no mercado interno.

Soja

A safra de plantio tardio de soja em Santa Catarina terá aumento de 50% na área plantada na comparação com o ciclo agrícola anterior.

Os preços apresentaram fortes oscilações nos últimos três meses. Após níveis recordes em março, acima de R$ 200,00/sc (reflexo Guerra Rússia-Ucrânia), as cotações recuam em abril com a expectativa de maior produção nos EUA. Em maio, as cotações voltam a subir, agora impulsionados pela alta dos preços do óleo, relacionado ao fortalecimento do valor do petróleo.

As exportações do complexo soja por Santa Catarina apresentaram os menores volumes no acumulado de janeiro a abril, quando comparado ao mesmo período desde 2018. A queda se deu sobretudo pela redução da produção na atual safra. A instalação de nova unidade de processamento de grão no Estado por uma cooperativa da região Oeste deverá absorver cerca de 25% da produção estadual, levando a menor exportação do produto na forma de grãos, o que é um fator positivo para a economia regional.

Trigo

As cotações de trigo no mercado catarinense em abril tiveram uma variação negativa de 3,18%, fechando em R$ 94,58/sc de 60kg. Em termos nominais, os preços cobrados em abril deste ano estão 13,28% acima dos registrados no mesmo mês de 2021.

Dentre os fatores altistas para as cotações do trigo registra-se a persistência do conflito entre a Rússia e a Ucrânia, que continua influenciando o cenário de incertezas. Rússia e Ucrânia juntas respondem por 28,5% de todo o trigo comercializado mundialmente. Já como fatores baixistas está a elevação das previsões de produção de trigo russo na safra 2022/23, que deve chegar a 87,4 milhões de toneladas.

Alho

A Epagri/Cepa estima que 90% do alho catarinense já tenha sido comercializado. Em abril foram importadas 11,48 mil toneladas de alho, redução de 25,59% em relação a março. O volume internalizado no primeiro quadrimestre do ano foi de 50 mil toneladas, com redução de 9,44% em relação ao mesmo período do ano passado, portanto mantendo a tendência de redução da importação registrada nos últimos anos.

Cebola

A comercialização da safra catarinense de cebola 2021/22 está praticamente encerrada. O mercado reagiu positivamente nas últimas semanas do mês de abril e início de maio, favorecendo os produtores que ainda tinham produto para comercializar. O preço médio pago ao produtor catarinense em abril foi de R$2,87/kg, na praça de Rio do Sul, um salto de 32,87% em relação ao mês de março.

O total de cebola importada no primeiro quadrimestre é 40% inferior ao do ano passado.

Banana

Nos quatro primeiros meses de 2022 Santa Catarina participou com 50,6% do valor das exportações brasileiras e 52% do volume exportado brasileiro de banana. A banana-caturra, que tem parte da produção exportada, conseguiu, com essa estratégia, manter os valores negociados entre janeiro e abril. Já a banana-prata mantém a tendência de redução nas cotações, provocada por problemas na qualidade dos cachos e expectativa de possíveis efeitos de eventos meteorológicos no Sul Catarinense.

A partir da segunda quinzena de maio as temperaturas mais frias nas regiões produtoras devem reduzir o desenvolvimento da fruta, segurando a desvalorização dos preços devido à diminuição na oferta e manutenção da demanda relativa no mercado.

Leia AQUI a íntegra do Boletim Agropecuário de maio.

Por Gisele Dias, jornalista Epagri

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