Coronavírus? Como segurar a ansiedade e o medo diante de tanta informação?

Em época de pandemia, diante da incerteza gerada por esse tipo de situação de emergência sanitária e de reordenamento social, manter-se sereno dentro do turbilhão de informações e emoções que envolvem a pandemia do novo coronavírus está sendo um desafio intenso para a população mundial. Ficar isolado do convívio social por prazo indeterminado enquanto as informações chegam ao redor como uma avalanche prestar atenção aos cuidados relacionados á prevenção da transmissão e tentar manter a calma, pois isolamento social e medos relacionados ao vírus podem gerar reações de pânico, ansiedade e outras patologias,

As informações que não param de chegar sobre o novo coronavírus e a incerteza sobre o futuro causam ansiedade e angústia em muitas pessoas.

Mas é possível lidar com esses sentimentos para que eles não se tornem um problema capaz de gerar efeitos que durarão bem mais do que a pandemia

“O desconhecido assusta, pois cria outras perguntas: como eu vou lidar com isso? Como vai ser comigo?”

A ansiedade pode se manifestar de várias formas, através do nervosismo, agitação, estado de alerta; não conseguir pensar em outra coisa; necessidade de ver e ouvir constantemente informações sobre o coronavírus; dificuldade para realizar tarefas diárias.

Também é percebida nas pessoas que estão com problemas para adormecer e que “acham difícil controlar sua preocupação e perguntam persistentemente aos familiares sobre seu estado de saúde, alertando-os sobre os graves perigos que correm toda vez que saem de casa”.

p000019508

Diante dessa situação, Psicólogos propõe:

Identificar pensamentos que possam lhe causar mal-estar. “Pensar constantemente na doença pode causar o aparecimento ou o aumento de sintomas que ampliem seu mal-estar emocional.”

Reconhecer nossas emoções e aceitá-las. “Se necessário, compartilhe sua situação com os mais próximos para encontrar a ajuda e o apoio necessários.”

Questione: procure provas de realidade e dados confiáveis. “Conheça os fatos e dados confiáveis oferecidos pelos meios de comunicação oficiais e científicos e fuja de informações que não provenham dessas fontes, evitando informações e imagens alarmistas.”

Informe seus entes queridos de maneira realista. “No caso de menores ou pessoas especialmente vulneráveis, como idosos, não minta para eles e forneça explicações verdadeiras, adaptadas ao seu nível de compreensão.”

Evite informações em excesso. “Estar permanentemente conectado não o deixará mais bem informado e poderia aumentar desnecessariamente sua sensação de risco e nervosismo.”

Comprove a autenticidade das informações que você compartilha. “Se você usa as redes sociais para se informar, procure fazê-lo com fontes oficiais.”

Como cuidar de si mesmo nestes casos: Tente manter “uma atitude otimista e objetiva”. Evite falar o tempo todo sobre o assunto, apoie-se na família e nos amigos e ajude a família e os amigos a manter a calma e um pensamento “adaptativo a cada situação”, além de tentar levar uma vida normal na qual não se alimente o medo dos outros.

triste-mulher-com-a-cabeca-baixa-olhando-pela-janela_117059-6

O importante é admitir que serão tempos difíceis e que a rotina vai ter de ser alterada de alguma forma. Isso não significa, no entanto, entrar em pânico. “É uma ótima oportunidade para refletir sobre prioridades nas nossas vidas e ainda pensar em novas formas de executar nosso trabalho.

Se você pertence à população de risco, de acordo com as autoridades sanitárias

Siga as recomendações e medidas de prevenção determinadas pelas autoridades sanitárias. “Confie nelas porque sabem o que fazer. Têm o conhecimento e os meios”.

Informe-se de forma realista.

Não trivialize seu risco “para tentar evadir a sensação de medo ou apreensão com a doença”.

Tampouco o amplifique. Seja cauteloso e prudente sem se alarmar.

Se lhe recomendarem medidas de isolamento, lembre-se de que “é um cenário que pode levar você a sentir estresse, ansiedade, solidão, frustração, tédio e/ou irritação, juntamente com sentimentos de medo e desespero, cujos efeitos podem durar ou aparecer mesmo depois do confinamento. Tente se manter ocupado e conectado com seus entes queridos.”

Crie uma rotina diária e aproveite para fazer as coisas que você gosta, mas que geralmente, por falta de tempo, não pode fazer (ler livros, assistir filmes, etc.).

triste-mulher-idosa-olhando-pela-janela_126362-370

Treine a resiliência Capacidade de lidar com problemas, adaptar-se a mudanças, superar obstáculos ou resistir à pressão de situações adversas: a definição de resiliência cai muito bem para esse momento que estamos vivendo. Isso quer dizer olhar o problema de frente, mas sem entrar em pânico (o que prejudica nosso juízo) e, ao contrário, pensar em formas de lidar com ele até que a situação melhore.

Se você está sofrendo da doença

Além de seguir as recomendações acima, os colegiados indicam vários pontos importantes para o autocuidado:

Administre seus pensamentos intrusivos. “Não se ponha na pior situação antecipadamente.”

Não se assuste desnecessariamente. “Seja realista. A imensa maioria das pessoas está se curando.”

Quando sentir medo, conte com a experiência que você tem em situações semelhantes. “Talvez agora não associe isso por ter uma percepção de maior gravidade. Pense quantas doenças você superou com sucesso na vida.”

Abrir as redes sociais hoje em dia não é uma tarefa fácil, especialmente para quem tem altos níveis de ansiedade. “Sinto-me exausta, minha cabeça vai explodir.

“Pacientes com transtorno obsessivo-compulsivo (TOC) ou ansiedade generalizada são população de risco psicológico no momento e estamos recebendo muitas perguntas sobre a incerteza causada pelo coronavírus. Tanto para eles quanto para os outros é importante manter a calma, não se alarmar e seguir as recomendações das autoridades sanitárias”, aconselha a psicóloga Silvia García Graullera, especialista em transtornos de ansiedade e diretora do centro PSICIA.

Understanding-SAD_GettyImages-505212552-1024x683

Já era esperado que, em uma sociedade tão conectada como a nossa, o fluxo de informações seria imenso diante de uma pandemia. Para não entrar em parafuso com o volume de dados que chega a todo momento, o melhor é filtrar tudo o que chega até você;

Controlar o consumo de informações (com fontes confiáveis)

Contextualizar nossos medos e tentar acalmá-los com “recursos pessoais que nos regulam emocionalmente” e um consumo limitado de notícias, colocando o foco nos meios de comunicação oficiais. “A busca excessiva por informação é uma ação que nos oferece controle para acalmar o medo, mas paradoxalmente o aumenta, pois alimenta o obsessivo diante do racional. Fazer uso adequado das informações (especialmente as provenientes da mídia oficial) e conceder-lhes um espaço mental também adequado pode nos ajudar a transitar pelas circunstâncias atuais da maneira mais saudável possível.”

Buscar fontes confiáveis é outra recomendação da psicóloga Yolanda Cuevas Ayneto. “Devemos limitar a exposição aos meios de comunicação. As informações nos dão segurança, mas se nos empanturramos, nos confunde e aumenta a vulnerabilidade. Mas lembre-se, ser vulnerável não anula seus recursos”, ressalta. A psicóloga, como remédio, aconselha “praticar o autocuidado” nesse estado excepcional com o autoconhecimento.

“Você pode aprender a acalmar sua mente desses pensamentos de ansiedade antecipatória, pensamentos alarmistas e pessimistas. Você pode se conectar à sua respiração, sentir o ar entrando e saindo, seu percurso e toda vez que você cair nesses pensamentos, volte sua atenção para o nariz, esse lugar por onde o ar entra e sai. Repetidas vezes, sem se deixar levar pelos juízos. Não se trata de não ter pensamentos, mas de saber acompanhá-los e soltar”.

Com informações BRASIL EL PAÍS e Uol

Deixe uma resposta

Esse site utiliza o Akismet para reduzir spam. Aprenda como seus dados de comentários são processados.