Um caminhão utilizado no transporte de toras de pinus causou transtornos na manhã desta terça-feira (6) na Estrada da Estância do Meio, no interior de São Joaquim. O veículo ficou preso em um trecho bastante castigado pelas chuvas, comprometendo a passagem de moradores e de outros veículos pela localidade.
Segundo relatos de moradores, situações envolvendo caminhões pesados transportando madeira têm sido recorrentes nas estradas rurais da região. Quando veículos desse porte atolam, escorregam para valetas ou não conseguem vencer determinados aclives, a estrada pode ficar completamente bloqueada.
Uma moradora da região relatou que o trecho chegou a ficar sem condições de passagem, impedindo tanto a subida quanto a descida de veículos. Segundo ela, o ponto onde ocorreu o problema é conhecido pelas dificuldades de tráfego, principalmente em períodos de chuva.
“Ali sempre dá problema. A situação é complicadíssima”, relatou a moradora.
Além da interrupção momentânea da estrada, moradores chamam a atenção para outro problema: o impacto provocado pelo tráfego constante de veículos pesados sobre estradas rurais já saturadas pela água.
Veículos podem chegar a dezenas de toneladas
Os caminhões utilizados para transportar toras de pinus podem utilizar diferentes configurações. Entre elas estão os chamados Romeu e Julieta, formados por caminhão e reboque, além de bitrens e rodotrens.
Em configurações comuns do transporte florestal, um bitrem pode ter Peso Bruto Total Combinado (PBTC) de até 57 toneladas. Já um rodotrem, dependendo da configuração e das autorizações exigidas, pode chegar a 74 toneladas de PBTC. Em combinações do tipo caminhão mais reboque, popularmente conhecidas como Romeu e Julieta, também existem configurações autorizadas com PBTC de até 57 toneladas.
Isso não significa que toda essa massa seja madeira. O PBTC inclui o caminhão, reboques, combustível, equipamentos e a própria carga transportada. A quantidade efetiva de pinus varia conforme o veículo, número de eixos, tara do conjunto, comprimento e características das toras.
Por isso, sem a pesagem do veículo envolvido no episódio desta terça-feira, não é possível afirmar qual era seu peso nem se havia qualquer excesso de carga.
Chuva aumenta problema das estradas
O episódio ocorre em um período de elevada umidade no solo. Quando uma estrada de chão recebe muita água, o terreno perde capacidade de sustentação. Com a passagem repetida de veículos pesados, podem surgir trilhos profundos, buracos, deslocamento de cascalho, deformações e valetas.
O resultado é um ciclo conhecido pelos moradores do interior: máquinas realizam a manutenção, mas, durante períodos prolongados de chuva e tráfego pesado, determinados trechos podem voltar a apresentar problemas rapidamente.
Peso concentrado aumenta desgaste
Embora o peso total de um caminhão seja distribuído entre vários eixos, a passagem repetida de cargas pesadas exerce esforço considerável sobre a estrutura da estrada.
Em vias rurais sem pavimentação, a situação é ainda mais delicada porque não existe a mesma estrutura de base e revestimento encontrada em uma rodovia asfaltada projetada para receber tráfego pesado.
Quando o terreno está encharcado, caminhões carregados podem aprofundar as marcas dos pneus e remover material dos pontos de maior esforço, especialmente em curvas, subidas e trechos onde o motorista precisa acelerar para vencer o aclive.
O problema também pode atingir os sistemas de drenagem. Quando a água deixa de escoar adequadamente pelas sarjetas ou bueiros e passa pelo leito da estrada, a erosão é acelerada.
Moradores relatam problema recorrente
De acordo com moradores da Estância do Meio, o episódio desta terça-feira não seria isolado. Eles relatam que caminhões transportando madeira frequentemente enfrentam dificuldades naquele trecho e que, quando uma composição fica atravessada, atolada ou presa em uma valeta, a comunidade pode ficar temporariamente sem passagem.
A preocupação aumenta porque essas estradas não atendem apenas ao setor produtivo. São utilizadas diariamente por moradores, produtores rurais, transporte escolar, veículos de serviços públicos, ambulâncias e pessoas que precisam se deslocar entre o interior e a área urbana de São Joaquim.
Uma das moradoras relatou que, em ocasiões anteriores, precisou passar com o automóvel praticamente por apenas um lado da estrada, colocando parte dos pneus sobre a margem para evitar ficar presa nos sulcos formados no trecho.
Transporte florestal é importante, mas moradores cobram condições de tráfego
O transporte de madeira faz parte de uma importante cadeia econômica da região e movimenta empresas, produtores, transportadoras e motoristas. Por outro lado, moradores defendem que o tráfego de veículos de grande porte precisa ocorrer de maneira compatível com as condições das estradas, principalmente durante períodos de chuva intensa.
A discussão não envolve apenas a retirada de um caminhão que eventualmente fique preso. O ponto levantado pela comunidade é o custo contínuo de recuperação dessas vias e o impacto que o tráfego pesado pode provocar quando o solo está saturado.
Em um município com uma extensa malha de estradas rurais como São Joaquim, a manutenção representa um desafio permanente, especialmente após sucessivos períodos de chuva.
O episódio registrado na Estrada da Estância do Meio volta a colocar em discussão a necessidade de conciliar a atividade econômica, o transporte de grandes cargas e a preservação das condições mínimas de mobilidade para quem vive no interior do município.