Rogério Martorano – O braço direito de Assis Chateaubriand

Rogério Martorano é Joaquinense, Jornalista aposentado e muito contribuiu para o desenvolvimento de São Joaquim, é uma lenda viva do jornalismo brasileiro. Trabalhou por 20 anos na Revista O Cruzeiro de Assis Chateaubriand, este que era o maior complexo jornalístico da América Latina.

 

Aos sete anos de idade seu pai César Martorano era proprietário de uma emissora de rádio na pequena cidade da Serra Catarinense, isso despertou o interesse do então garoto em ser jornalista, iniciava um sonho de escrever sua história. Na época seu pai foi ao Rio de Janeiro e foi representante do grupo de Chateaubriand em Santa Catarina, recebeu uma carteirinha assinada por Chatô.

 

Chateaubriand, anos mais tarde durante a Revolução de 1930, decidiu apoiar Getúlio Vargas rumo ao poder, muitos espiões surgiram para derrubar esta frente e Chatô foi confundido, precisou fugir e foi parar justamente em São Joaquim, sem documentos, César o recebeu e evitou o fuzilamento de um dos homens mais importantes do país.

 

O início da carreira

 

Rogério Martorano aos 18 anos de idade

 

Aos 18 anos Rogério queria seguir seu sonho de ser jornalista, sempre ouvia seu pai falar de Assis, a única forma de ir para o Rio de Janeiro em busca do célebre proprietário da revista O Cruzeiro, era o alistamento militar. Em janeiro de 1959 chegou à cidade maravilhosa, após se instalar no quartel foi à casa de Chatô.

 

Ao se identificar dizendo que era do Sul do Brasil, falou que era filho de César, Chateaubriand, levantou-se da cadeira e deu-lhe um beijo na testa e falou, seu pai salvou minha vida, o que você faz aqui? – Quero ser jornalista disse Rogério. Vou te domesticar jornalista disse Chatô e hospedou o joaquinense em sua casa por cerca de um ano e meio.

 

Trajetória na Revista O Cruzeiro

Em um almoço o joaquinese foi apresentado à grandes nomes do jornalismo na época, Armando Nogueira, Davi Nasser, Luiz Carlos Barreto, Raquel de Queiroz, fotógrafo Jean Manzon entre outros.

Em seguida na redação da revista O Cruzeiro iniciou seus trabalhos, foi denominado de “foquinha”, “foca”, até chegar ao cargo de repórter e braço direito de Chateaubriand.

Rogério iniciou sua carreira de forma triunfante e alavancou a cidade de São Joaquim com uma reportagem sobre a neve, destacando como cenário Suíço no Sul do Brasil, a partir daí todos os anos a revista estampava suas páginas com matérias sobre a neve.

As três maiores matérias produzidas tiveram como pauteiro o Jornalista Davi Nasser que indicou as séries, “O natal de minha infância”, “Quando eles eram crianças”, com as 12 maiores personalidades do Brasil e “Os solteirões famosos”. 

Em sua trajetória construiu amizade com o presidente Juscelino Kubitschek e Carlos Lacerda Governador do Rio de Janeiro, foi assador oficial em seu sítio em Petrópolis, onde apresentou pratos típicos da região sul, carreteiro e entreveiro.

Para as eleições presidenciais foi indicado em 1963 como um dos cinco nomes influentes para a campanha de Juscelino Kubitschek , mas durante a revolução de 1964 a missão foi abortada. Durante o período da ditadura militar foi um homem de passe livre nas forças armadas, salvou a pele de muitos jornalistas que foram presos na época. Recebeu diploma de honra militar e medalha Marechal Hermes, maior condecoração no exército, foi reconhecido cidadão carioca pela Assembleia Legislativa do Rio de Janeiro.

Em 1972 fez uma matéria especial sobre Lages, com o título “A capital do papel”, uma reportagem de mais de 30 páginas, esta edição foi lançada no Rio de Janeiro, com a presença do então Prefeito Vidal Ramos. Na época a cidade já mostrava que seria uma potência como é nos dias de hoje.

Rogério também escreveu durante dez anos na Gazeta do Povo do Paraná toda quarta-feira, coluna sobre política e economia de Santa Catarina. Disponibilizou material para Folha de São Paulo, Estadão, Jornal do Brasil e Jornal O Globo.

Quando morou em Joinville-SC descobriu uma mulher que renderia uma bela reportagem, mas ela não dava entrevistas, foi se tornando amigo e logo ela contou sua história, ela se chamava Fryderica Michailiszm e foi namorada do nazista Adolf Hitler, aos 16 anos de idade. Esta foi a sua última matéria na revista O Cruzeiro no último exemplar a circular em 1978. A edição teve uma repercussão internacional e ainda é exposta em diversos museus pelo mundo.

 

Visão pelo turismo

 

Em uma de suas viagens com Chateaubriand fizeram um voo sobre a Serra do Rio do Rastro e Coxilha Rica, com destino a Porto Alegre, nesse tempo Rogério viu do alto as belas paisagens da Serra Catarinense e o potencial do turismo.

Em 1992 Rogerinho procurou os governadores do Rio Grande do Sul e de Santa Catarina e os prefeitos da região, idealizou a rodovia Caminhos da Neve que realizava integrar dois polos internacionais de turismo, Florianópolis e Gramado pela Serra Catarinense e Gaúcha. A ideia teve uma repercussão fantástica, até hoje a obra ainda não foi concluída, o sonho de Rogério é ver a estrada pronta para alavancar o turismo.

3 COMENTÁRIOS

  1. Boa tarde,

    Parabéns Michel pela homenagem a Rogerio Martorano, Caminhos da Neve, e realizador de um delicioso carreteiro.

    Mérito se dá a quem tem, e enquanto está vivo.

    Parabéns Rogerio pela sua contribuição a São Joaquim.

  2. Grande Jornalista. Merece tôdas as homenagens do Povo Joaquinense e Serrano.
    Divulgou e defendeu como ninguém as nossas potencialidades à nível Nacional.
    Nos anos 80 gerenciei um Banco em São Joaquim e compartilhei da amizade desse gde Joaquinense. Parabéns e nosso reconhecimento, Forte abraço.
    Renato Magno

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