Varíola dos macacos: como diagnosticar? Onde fazer o teste e quanto demora?

Imagem: iStock

A escalada de casos de varíola dos macacos colocou a comunidade científica em alerta. No Brasil, o Ministério da Saúde trata o avanço como um surto, primeiro estágio da evolução de contágio, antes de epidemia e pandemia.

Para diagnosticar a doença, o exame utilizado é bastante conhecido por causa da pandemia da covid-19: o PCR. No entanto, a coleta difere da que acontece para detectar o novo coronavírus, que usa secreções das narinas e da garganta. Na varíola dos macacos, a avaliação se baseia no material genético presente nas lesões características da doença.

Mas, há momento certo para realizar o diagnóstico? Em quanto tempo o resultado fica pronto? E é preciso repetir em caso de teste negativo e persistência dos sintomas?

Tire abaixo as principais dúvidas sobre o exame para diagnosticar a varíola dos macacos:

Qual é o teste para diagnosticar a varíola dos macacos?

O diagnóstico da varíola dos macacos —ou monkeypox-– ocorre por meio de variações do PCR, que avalia o material genético nas amostras —são o RT-PCR e o qPCR. De acordo com o infectologista Celso Granato, diretor clínico do Grupo Fleury, ambos os métodos indicam se a pessoa tem ou não o vírus.

“Colhe-se material de vários pontos da pessoa, dependendo da apresentação clínica da doença. Temos feito a detecção das bolhas, você fura e raspa o cotonete [swab] na base dela. Pode ser avaliado também o líquido que sai, muito rico em vírus”, explica Granato.

Ainda não há uma padronização na coleta, mas a tendência é que cada laboratório use mecanismos para garantir o êxito do exame, como colher um certo número de amostras ou usar métodos associados para analisar se o resultado é confiável.

Mesmo tendo lesões típicas da doença e outros sintomas, o teste é obrigatório?

O exame via PCR é obrigatório para diagnosticar a doença mesmo o paciente tendo lesões e outros sintomas associados da varíola dos macacos (como febre, dores de cabeça e musculares).

Isso acontece porque as lesões podem se confundir com outras condições, como sífilis e até mesmo varicela (a catapora). Além disso, o controle de casos é essencial para monitorar o avanço da doença neste surto atual.

Há momento certo para fazer a detecção?

Na verdade, alguns estágios da doença e avanço das bolhas podem tornam a detecção do vírus mais fácil. As lesões da varíola dos macacos começam como manchas (fase chamada de mácula), avançam se assemelhando a espinhas que não conseguem ser espremidas (pápula) e, então, viram tipos de bolhas (vesícula). Na sequência, entram em processo de cicatrização.

O melhor momento para testar é quando as vesículas se formam, porque há maior presença de vírus nas secreções. Mas isso não significa que a detecção seja impossível no início da doença, por exemplo. E na cicatrização, inclusive, a casquinha também é encaminhada para o laboratório.

“Pessoa com lesão parecida com espinha já dá para testar. É mais difícil de colher, mais dolorosa, ter que passar com força o swab, porque precisa extrair célula. Não é que não consiga [fazer o exame], mas vai doer. A rigor, pode realizar desde a fase pápula”, afirma Granato. Quando a pele cicatriza por completo, o resultado tende a ser negativo.

Outro ponto é que a pessoa pode apresentar lesões em estágios distintos, com concentrações diferentes de vírus. “Não há problema nenhum, o mais importante é que a amostra seja bem colhida, na base da bolha e ter células para o exame ser significativo”, assegura o infectologista.

Onde fazer e quanto tempo demora o resultado?

É possível fazer o teste nas redes púbica e privada.

“Em laboratórios privados, o resultado é obtido em menos de 24 horas, geralmente. Em públicos, é um tempo maior, de 72 horas até 7 dias dependendo da região. Esse período é mais demorado pela logística”, explica Lorena de Castro Diniz, coordenadora do departamento científico de imunização da Asbai (Associação Brasileira de Alergia e Imunologia).

Em caso de resultado negativo e sintomas persistentes, é preciso repetir?

O profissional de saúde deve orientar a repetição do exame caso suspeite que o resultado inicial foi um falso negativo.

“Se a pessoa colheu ontem, deu negativo e a suspeita clínica é forte, pode colher hoje mesmo. Não existe período delimitado para refazer o teste. Importante é ter dados para ver se vale a pena repetir”, diz o infectologista Celso Granato.

Em alguns casos, inclusive, o próprio laboratório pode indicar nas observações do exame a necessidade de refazê-lo ao detectar eventuais alterações na coleta.

O exame dói?

O exame torna-se incômodo porque as lesões doem. Então, qualquer contato que exista nelas pode causar dor. Segundo Granato, outro ponto é que há muitos relatos de feridas anais e perianais, aumentando o risco de desconforto.

“Isso chama a atenção, porque não era uma doença que dava dor neste nível. A apresentação clínica difere do que líamos nos relatos”, conta o infectologista.

Precisa fazer novamente o exame para sair do isolamento?

Não há indicação de refazer o PCR para sair do isolamento, mas é essencial a avaliação clínica de médicos para assegurar que o paciente pode restabelecer as atividades de rotina.

O paciente não está liberado do isolamento enquanto as feridas não cicatrizam, porque pode infectar outras pessoas. O tempo médio de incubação da doença é de seis a 13 dias, mas pode variar de cinco a 21 dias, conforme a OMS (Organização Mundial da Saúde).

“Isso se modula dependendo do sistema imunológico do paciente. A doença vai ser mais arrastada em pessoas com sistema imune comprometido do que em imunocompetentes, por exemplo”, diz a imunologista Lorena de Castro Diniz.

Fonte: Uol

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