O menino Jesus – Por Henrique Córdova

No momento crucial,
Em plena e clara primavera,
Todas as folhas sãs caíram
E desnudaram as árvores,
Que, no verão, negaram frutos.
Os pássaros, perplexos,
Sobrevoavam desconfiados
Os esqueletos extemporâneos
Das grandes macieiras estéreis.
Na interminável noite,
Sem lua e sem estrelas,
Os fantasmas passearam,
Aterrorizantes e vagarosos,
Pelos pomares estranhos.
Paralisados, os viajantes
Vislumbraram, na paisagem,
A maldição dos esfaimados,
Realizada na desolação
E plasmada na fantasmagoria.
Uma criança desconhecida,
Seminua e alegre,
Surgiu sem mencionar de onde,
E arrancou da parede rosa
O quadro sinistro e, em seu lugar,
Dependurou outro, do mesmo tamanho,
Cheio de folhas verdes e frutos maduros.

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