Eugenia – Por Henrique Córdova

O rosa, ao fundo do favo,
Forte, insinuante e permanente,
Fugiu do mais belo cravo,
E pousou em tua pele fulgente.

Em cada geométrico alvéolo,
Tua face, em ângulos perdidos,
Expõe cabelos leves ao éolo;
Boca ornada de lábios atrevidos.

Nas faces coloridas, sobrancelhas, como asas,
Alçam a perfumes imaginários o nariz marmóreo,
Enquanto olhos sedutores, em ardentes brasas,
Prendem muitos amores, em verde ramo arbóreo.

No primeiro e nos últimos hexágonos, em preto e branco,
Madeixas escuras escorrem pelo ombro nu e malicioso,
Espreitadas pela perfeição isolada do grande olho franco
Perdido no infinito em busca de algum pássaro gracioso.

Nada, por mais que perscrute, descreve e louva tua realeza,
Que contrasta com meridianos e paralelos do vazio planeta,
Postado sob teu soberano rosto, pálido de flutuante beleza,
A reverenciar a suave formosura de tua harmônica silhueta.

A tradicional colméia de que provieste,
Colheu, dentre lindas e escolhidas flores,
O néctar delicado do mel de sabor celeste,
Com que, na vida, farás doces os amores.

Agradecimento a convite feito em papel rosa, em que a foto da remetente estava dentro de um alvéolo colocado sobre o ” Mapa Mundi”.

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