Birton e Freind – Por Henrique Córdova

Em um debate entre Birton e Freind, personagens de “História de Jenni ou o Ateu e o Sábio”, os últimos argumentos de Freind merecem ser guardados:

“A crença num Deus remunerador de boas ações, punidor das más, perdoador das faltas leves é pois a crença mais útil ao gênero humano: é o único freio dos poderosos, que cometem insolentemente os crimes públicos: é o único freio dos homens que cometem disfarçadamente os crimes secretos.

Não vos digo, meus amigos, que junteis, a essa crença necessária, superstições que a desonrariam e que até poderiam torna-la funesta: o ateu é um monstro que só devora para aplacar a fome; o supersticioso é outro monstro que estraçalhará os homens por dever. Sempre notei que se pode curar um ateu, mas jamais se cura radicalmente um supersticioso; o ateu é um homem inteligente que se engana , mas que pensa por si mesmo; o supersticioso é um tolo brutal que jamais teve senão as idéias dos outros.

O ateu violará Ifigênia, prestes a desposar Aquiles, mas o fanático a degolará piedosamente sobre o altar, e julgará que Júpiter lhe ficará devendo obrigações; o ateu roubará um vaso de ouro a uma igreja, para cear com mulheres alegres, mas o fanático celebrará um ato de fé nessa igreja e entoará um cântico judeu, a plenos pulmões, enquanto faz queimar judeus. Sim , meus amigos, o ateísmo e o fanatismo são dois pólos de universo de confusão e de horror.

A pequena zona de virtude está entre estes dois pólos; marchai a passo firme por esse caminhão; acreditai num Deus bom e sede bons. É tudo que os grandes legisladores Locke e Penn pedem aos seus povos”.

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